“Aborto é crime!” Uma obviedade?

Devemos continuar colocando jovens mulheres atrás das grades devido estas terem interrompido prematuramente uma gravidez? Ou será que proibimos complemente os abortos, e independentemente das circunstâncias, e constituímos a obrigatoriedade de outras pessoas, mesmo solteiras, de adotarem o sem número de crianças abandonadas resultantes, em decorrência da proibição? Não parece mais tão óbvio assim, não?

O problema é tão antigo quanto a discussão, e desde que foi dada a propriedade a qualquer indivíduo da sociedade opinar a cerca disso multiplicam-se os dilemas. Pois é o problema nítido que não está nas pessoas, muitas não tinham más intenções, há as que foram estupradas, as coagidas ou enganadas. E mesmo assim, será que podemos cobrar qualquer responsabilidade de quem só cometeu um erro? Não parece minimamente justo!

As soluções preventivas apresentadas também não parecem passar em qualquer bom crivo analítico. Tecnicamente as tais “pílulas do dia seguinte” são também métodos abortivos, tanto que países mais conservadores também as proíbem. E só para lembrar métodos contraceptivos são quase sempre invasivos para a saúde o que a meu ver envolve tanto trauma quanto, se não mais, isso quando não são demasiadamente caros.

Um raciocínio simples encerra minhas opiniões sobre o assunto: Eu sei dirigir, tenho curso de direção defensiva um veículo equipado com todos os acessórios de segurança e tudo o mais, entretanto ainda estou sujeito a acidentes, nesses casos não devo receber socorro? Pior, se um garoto aos quinze anos bater o carro do seu pai, temos apenas um acidente ou carência de responsabilidade de seu pais, dele mesmo, das autoridades ou de todos?

Bom, o que ocorre não é segredo: Somos socorridos, recebemos seguro, e quiçá um amparo  psicológico, na maioria dos casos sem custos particulares. Está vendo, são indissociáveis. Todos cometem erros e tais erros são passíveis de auxílio, não uma punição. Ou nos privamos de termos um carros e amarramos nossos jovens que não roubem o carro do pai, ou damos o devido auxílio e orientação no caso de acontecerem tais acidentes.

Sou a favor de que as mulheres sejam “senhoras de suas próprias vidas e de seus corpos”, assim como os homens. Se cerceamos sua liberdade, criminalizando o aborto, mesmo em casos não criminalizáveis como estupro, má formação, ou antes do desenvolvimento do SNC (Sistema Nervosos Central), então algo também deveria se exigir dos membros da sociedade, em compensação, como a citada “Adoção Obrigatória”.

Felizmente o desenvolvimento das condições sociais não é baseado no que sentimos, mas no que precisamos para viver uns com outros. Mais dia, menos dia, o aborto vai ser descriminalizado, talvez com permissões que eu não concorde, é inevitável. Assim como votar, trabalhar, ser reconhecida como cidadã, será só mais um passo nos avanços sociais das mulheres, e isso não porque é o melhor, mas o mais coerente e humano.

Doutrinação – A covarde coerção de menores na indústria do medo e das falsas expectativas!

Sou terminantemente contra a doutrinação de crianças. Levar crianças a cultos e afins é algo tão translocado que até os religiosos sabem disso. Geralmente há áreas de recreação com outras atividades, separadas das reuniões, voltadas para elas. Rapidamente se associa diversão com ir igreja.

Daí a começar a imitar gestos de seus pais seguindo os ritos, recebendo todo o pacote de crenças infundadas e medos irracionais, que acarretam nos mais temíveis preconceitos e intolerância, que fizeram e fazem inexoravelmente parte do processo de doutrinação é “do dia para a noite”!

Vejo a doutrinação de crianças (mesmo das maiores, como pré-adolescentes), como qualquer outro tipo de abuso psíquico, o que envolve desde induzir o consumo de entorpecentes, prostituição ou práticas criminosas. A chamada “educação religiosa” não é outra coisa a não ser a covarde coerção de inocentes.

Claro o estado poderia imprimir restrições a isso, como faz com o consumo de álcool ou cigarros, entretanto se ausenta da discussão. É deveras interessante notar como erguem aos brados a constituição para mostrar como este não pode se embaraçar com suas práticas, mas unicamente quando convém!

O direito de amar

Tais perguntas são comuns de ouvir: “Se a homossexualidade tem que ser aceita na sociedade por ser parte da natureza, tanto que existe o comportamento mesmo entre animais, dessa maneira por que crimes como “a pedofilia ou a antropofagia”, são considerados também? Não são todos estes distúrbios de conduta e postura naturais aos seres humanos?”.

O que geralmente se justifica assim: “Assim como ninguém traz de berço o desvio de sua sexualidade, já que foram criados macho e fêmea. Ninguém também sente naturalmente apresso por ter relações sexuais com crianças, abusando de sua inocência, ou de se alimentar da carne de seus próprios semelhantes, por vezes assassinando suas vítimas no processo!”

Aqui tem um erro crasso, de raso uso do raciocínio! Primeiro que não existe um consenso sobre o que é a homossexualidade, ou como esta se desenvolve. Muito embora recentes pesquisas apontem que a bagagem genética do individuo tem nitidamente um enorme parcela de contribuição, vide as coincidências existentes em gêmeos monozigóticos.

Não obstante, se a homossexualidade é parte da natureza ou não, sendo “de berço” ou não, isso é irrelevante! Homossexualidade (posicionamento) ou homossexualismo (comportamento), não são crimes porque não agridem, física ou intelectualmente qualquer indivíduo, isso ao contrário do que muitos de nós queríamos que fosse, é um FATO, e inexoravelmente!

Igualar a simples prática, mesmo o desejo sexual, seja este heterossexual ou não, entre dois ou mais indivíduos, sendo estes condescendentes dos atos e ainda por cima emancipados, é um equívoco tremendo, no mínimo um ode ao conservadorismo, uma trava que os mecanismos sociais e religiosos, sustentam como um derradeiro suspiro de seu antigo poder.

“Ama o próximo…” só que não? – oratória pseudo-embasada de apresentadores televisivos

Um pastor evangélico (ou qualquer outra pessoa) deve ter o direito de expressar sua opinião (embasada em ciência ou na sua fé, ou não) a cerca da sexualidade alheia? As demais pessoas, atingidas direta ou indiretamente, por seu discurso tem o direito de tentar puni-lo ou simplesmente de tentar calá-lo, por temer a repercussão de suas palavras, tidas pela maioria como um ode a intolerância, até ao ódio?

Há nitidamente (ao menos para mim) um meio termo não observado, nesse caso em especifico. Todos tem direito a livre expressão, essa é uma das bases constitucionais, e de inúmeros países na atualidade. No mundo de intensos emaranhamentos culturais em que vivemos, a tolerância, o ato de aceitar que existem pessoas distintas umas das outras é de uma relevância, quiçá sem precedentes.

O que muitos ignoram é que grande parte dos ideais de constituíram essas bases ideológicas, vieram de intensos períodos revolucionários ocorridos nos derradeiros séculos, cujos expoentes que posso citar sem pensar duas vezes, estiveram na Reforma Protestante (!), na Revolução Francesa e Industrial. Praticamente todas as republicas do novo mundo estão construídas sobre essas conquistas.

Nos Estados Unidos, (assim como aqui) quando então na ocasião de intensos embates entre evangélicos, (geralmente o mais conservadores) e homossexuais por seus direitos de livre expressão, de suas convicções e de sua sexualidade, respectivamente, passaram por um (mais que necessário) consenso: seus discursos não poderiam nunca ter qualquer estímulo a intolerância.

Aparentemente o que se vê aqui são dias dos mais conturbados. Evangélicos temendo represálias (até punições), por unicamente expressarem suas crenças, e homossexuais que precisam sair em proteção de seu direito de ser o que é nitidamente de sua natureza. Penso que unicamente a tolerância e a aceitação serão decisivas para resolução desses empasses. Ou não seria mais o amor, a máxima da cristandade?