Mulher Maravilha, trajes inapropriados e a ONU – Ou: Teorizando sobre o fenômeno do meme no pseudo feminismo

Não estamos vendo diversos grupos feministas em ação estes últimos dias, ao menos não de verdade. Todos esses que aparecem na mídia ostentando uma bandeira de nítido pseudo ativismo são insubstanciais. Fato que certas ações tem mais relevância que outras, entretanto isso se deve ao sensacionalismo puro, o discurso infundado é sempre o mesmo. O que atrapalha bastante a causa feminista como um todo, que acaba sendo mal vista, por vezes transformando-se em piada.

As ações são inúmeras: Desde a Mulher Maravilha (personagem de histórias em quadrinhos da DC Comics), seu vestuário inadequado e o fim de seu posto como embaixadora, até de um anúncio de uma certa empresa que trabalha com móveis em aço, sua modelo com maiô de surfista, e um trocadilho com a oxidação. Representantes sérias concordam que cogitar que as vestes de uma super heroína ou um anúncio de cabide possa denegrir as mulheres na sociedade é totalmente risível.

Infelizmente este não é o caso no que se refere ao que estes grupos vergonhosamente apontam. Já se imaginou preocupado se é ético o trabalho do Peter Parker (o Homem-Aranha da Marvel) para os meios jornalísticos e o quanto isso (basicamente vender fotos de si mesmo) denigre o trabalho dos fotógrafos? Chega a ser infantil, convenhamos. Sobre esse tipo de notícia e sua repercussão: Claro, se está na internet é relevante, um acontecimento, se não é descartável. De novo risível.

O que parece evidente de que todo esse tipo de alarde criado (sobre como mulheres devem ser representadas na mídia ou publicidade), não vai além do que parece, sensacionalismo barato e ‘cortina de fumaça’ gritante sobre problemas reais. Novamente: Não se incorre no erro de achar uma notícia mais relevante que outra, mas em dar crédito somente ao que tem prévia ‘relevância’, construído muitas vezes com intenções escusas, como o desvio de atenção a problemas sérios.

O que temos é o típico ‘meme’. Quem quer saber o que suportam as mães das periferias carentes quando por uma burca em figuras fictícias é muito mais pop, não? Não desprezo, todavia, nenhuma dessas ações, unicamente os encaro como são: Uma tolice, inclusive contraditória, prerrogativa para acusar misoginia e para desmenti-la. E como já disse, essas só ganham a sua notoriedade de modo indevido.

Uma comparação entre o que vem ocorrendo com as religiões é perfeitamente válida. Várias frentes a cerca de um mesmo ideal tendem por desvirtua-lo, e bastante. O cristianismo, por exemplo, visto o sem número de seitas cristãs menores que tentam abarca-lo. Hoje cristianismo é uma sombra apagada do que aparentemente se idealizou no séculos primeiros, inclusive sendo (advinha só) motivo de piada, como discussões sobre o que pessoas que não existem de verdade deveriam ou não vestir.

Jesus realmente existiu?

is-jesus-god3.jpg

Sim, mas também não. A resolução de um impasse dessas proporções jamais teria uma resposta simples. Lógico, que o homem dotado de dons miraculosos, dito de origem divina, descrito nas escrituras, das Cartas Paulinas aos Atos, é sabidamente contestável, basta aplicar a Navalha de Occam ou apenas o bom senso para discernir que se esse homem existiu então de certo um sem número de outros místicos da época também teriam que ser reais, quanto a personalidade histórica, um homem da Galileia dotado de ideais pouco ortodoxas, revolucionário, e capaz de desestabilizar a ordem, e atrair a ira das autoridades, romanas e judaicas, é bem plausível.

Como o nome Jesus é uma transliteração do nome de um herói judeu ancestral, hoje conhecido graças a narrativa bíblica como Josué, muito popular naquela região, e tendo em vista o quadro de intensas revoluções no período, eventos estes com muito menos controvérsias que a existência do nazareno, e o sem número de “ajustes” documentais (como o que diz respeito do título de nazareno, um tipo unção ritualística, não uma origem) acho mais cabível dizer que não houve um “Jesus”, mas muitos. O que nos restou foi uma coxa de retalhos desses diversos pregadores apocalípticos.