Caso Queiroz – Resumo da Ópera

Em 2018, o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) rastreia  uma movimentação suspeita, R$ 1,2 milhão em um ano na conta de um assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz. Queiroz ainda teria passado um cheque de R$ 24 mil para Michele Bolsonaro, (a primeira-dama). Para em seguida, o presidente Jair Bolsonaro vir a público dizer que ele era o destinatário final, e que o real valor era de R$ 40 mil.

Em tempo vem à tona que funcionários do gabinete do senador repassavam um valor correspondente quase à totalidade de seus salários para o mesmo Queiroz. E descobre-se que Nathalia Queiroz, filha de Fabrício, e assessora do próprio Jair Bolsonaro, era funcionária fantasma do presidente da República, tendo em vista que apesar de estar na folha de pagamento da Câmara, trabalhava em uma academia e em tempo integral(!).

Descobre-se que um dos assessores do Flávio, Wellington Sérvulo, lotado na ALERJ, morava na Europa por quase um ano enquanto recebia normalmente o seu salário. Isto é, provavelmente se tratava de mais um funcionário fantasma. Queiroz e Flávio, se recusam a prestar esclarecimentos ao Ministério Público. Em tempo o próprio senador vai ao STF e pede para que a investigação seja suspensa. Estaria em alegação de foro privilegiado.

Vaza em diversos veículos de imprensa um novo relatório do COAF, revelando movimentações suspeitas diretamente na conta do próprio Flávio Bolsonaro. Sendo 48 depósitos seguidos, no valor de R$ 2 mil cada um, totalizando um repasse de quase R$ 100 mil para o senador eleito. Segundo o COAF, esse tipo de movimentação é comum de quem está tentando “lavar dinheiro”, ocultar parte de seu patrimônio, e em muitos casos ambos.

Em mais um dos trechos do relatório do COAF, é descrito detalhadamente que na verdade Fabrício Queiroz não movimentara “apenas” R$ 1,2 milhão no período de um ano, mas um montante de cerca de R$ 7 milhões em 3 anos(!). Pelo conjunto da obra, a suspeita mais sólida é a de que diversos dos assessores de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro eram obrigados a devolver parte ou totalidade dos seus salários para a família Bolsonaro.

Reforma Trabalhista versus Reforma da Previdência: Às contas…

Para quatro horas por dia, seis vezes por mês, em regimente de trabalho intermitente uma empresa oferece de R$4,81 por hora. O salário mensal é R$115,44. O INSS recolhido pela empresa seria de R$23,09. A contribuição mínima exigida pelo INSS, porém, é de R$187,40.

Para se adequar à regra, portanto, o empregado precisaria desembolsar R$164,31. Ou seja, mais que o próprio salário, de R$115,44. Nesse caso, o trabalhador terminaria o mês devendo R$65,03!

Contra Thomas Hobbs – Ou porque trocar a liberdade pela simples sensação de segurança é estar preso de antemão a própria ignorância

Thomas Hobbs tem um trabalho indiscutivelmente rico, reconheço, mas não compactuo com sua ideia do “Estado Natural do Ser”. No qual o filosofo aponta que existe o cerne na natureza do homem, a maldade(!).

Sendo, segundo o autor, meramente o medo uns dos outros advindo do contato, da proximidade em que vivemos, o que nos leva a abir mão de coisas como nossas liberdades individuais em troca de proteção.

De fato, o medo é poderoso, deveras. Mas biologicamente este é então somente uma ferramenta, um mecanismo de defesa, derivado de nossa própria evolução. E sociais que somos isso se estende a tudo que nos cerca.

Assim, é compreensível que por garantia da seguridade costumamos fazer essa escolha. Em contrapartida a evolução nos deu meios para nos desvencilhar da natureza, a ponto de ter o medo como um aliado ao invés.

Bem e mal são geralmente relativos. Buscamos sobreviver apenas e a vida, em seu sentido tão romantizado, se sintetiza na fuga das dores e na busca pelo prazer, que advêm de fatores diversos também por sua vez.

O tema da “total liberdade” já foi explorada até pela cultura pop. Em filmes como Uma Noite de Crime tudo é falível no cerne. O próprio filme mostra, ainda que pobremente, que não há patamar de igualdade.

Tudo não passaria de um safári para elites, limpeza social. Econômica e politicamente falando a coisa também não se sustenta. Quem impediria que esse “Carnaval” não fosse além da Quarta-Feira de Cinzas?

O fim da identidade nacional e o avanço da “Nova Roma”

A civilização romana só efetivamente destruía aqueles povos cuja cultura era forte o suficiente para não ser absorvida por ela. Cartago que o diga, seus campos foram queimados, suas cidades demolidas, população dizimada e seu solo salgado, desde as montanhas até a beira do mar.

Algo distante? Certamente que não(!). Nossa saudosa Atlântica Filmes, marco do cinema nacional, foi esmagada por pressões do cinema americano, e esse é só um exemplo. Assim também o Golpe de 1964 nos chegou por mera influência e atenção aos interesses do governo ianque.

Perseguimos as religiões de matriz africana, mesmo aquelas de origem nacional, dentre tantos outros traços culturais mais familiares a nós, parte de nosso cotidiano, e ao mesmo tempo temos um apresso todo especial a praticamente tudo que vem de além de nosso quintal.

Sou só eu ou alguém mais percebeu, direta ou indiretamente, que depois da nossa cultura e sociedade só nos restava um ínfimo de identidade, a identidade política, para fatidicamente a autoproclamada “Nova Roma” em sua eterna, inexorável e voraz fome vir a fagocitar? Temo que sim.