“Dies Natalis Solis Invicti!”

Diferente do que muitos cristãos tentam tanto desesperadamente dar a entender a derivação sincrética é sim uma das bases, quiçá a mais importante, para o desenvolvimento de toda e qualquer nova mitologia, mesmo para novíssima Judaico-Cristã.

Observe que sincretismo não significa dar um CTRL+C, CTRL+V dos mitos ancestrais, mas a adoção, com pouca, ou até nenhuma adaptação, de certos ritos, contos e datas anteriores que convém, por vezes por meras motivações político-sociais.

Vide os feriados do Solis Natalis Invictus (uma analogia ao título do imperador Pius Felix Invictus) e o nosso querido Natal Cristão, e suas inúmeras semelhanças, como por exemplo a época em que se realizam, solstício de inverno, hemisfério norte.

O imperador Aureliano o introduziu em 270 E.C., fazendo deste a primeira divindade do império, não oficialmente associado a Mitra, muito popular entre os legionários, mas mantendo diversas de suas características, incluindo sua iconografia.

A adoração ao Sol Invictus, bem como o exercício de sua festividade maior, durante o mês de dezembro, continuaria até a adoção do cristianismo por parte do imperador Constantino, por sua vez reproduzindo seu antecessor, Aureliano.

Para o cristianismo do oriente a data da natividade era 6 de janeiro. A comemoração em 25 de dezembro só começaria em 354 E.C., aproximadamente, em Antioquia provavelmente em 388, e em Alexandria somente mais de um século depois.

Mesmo aqui no ocidente, a celebração em 6 de janeiro parece ter continuado até depois de 380. No ano 350, o Papa Júlio I proclamou o dia 25 de dezembro e o Imperador Justiniano, unicamente em 529, declarou-o feriado nacional.

De novo o Zeitgeist? – Ou como são os mitos?

A primeira parte do conspiratório documentário independente conhecido como Zeitgeist, desperta no mínimo uma perturbadora desconfiança por parte de quem o vê uma primeira vez. O texto começa apresentando a figura  do ‘Deus Sol’, adorado em inúmeras civilizações e descrevendo pormenores de suas origens astrológicas associadas principalmente ao solstício de inverno.

O que é realmente perturbador no vídeo é o que se segue, o autor parte enumerando enfaticamente um sem número de ‘nefastas’ coincidências desses reconhecidos deuses solares (do egípcio Horus, passando por Mitra da Pérsia, até a heleno Apolo), como o personagem religioso mais popularmente apregoado dos últimos milênios, Jesus Nazareno.

É inquestionável a influência de centenas de mitos anteriores na construção de novos, como o messias do cristianismo, embora eu discorde da quantidade de coincidências. Algumas constantes apontadas no documentário até ‘incomodam’ ao bom senso, como detalhes a cerca do nascimento, proezas miraculosas realizadas em vida e principalmente sobre morte e ressurreição.

Com um pouco de seriedade e uma rápida pesquisa, conversando com historiadores das áreas em questão descobrimos como esses mitos são construídos, moldados e destruídos no decorrer do tempo por várias civilizações. O que vemos é que não existem verdadeiramente um só versão na descrição de mitos e seus pormenores, Deuses Solares não são uma exceção.

Tendo isso em vista, e que, como todos sabem: “quem conta um conto, aumenta um ponto” temos centenas de versões da mesma história, muitas desencontradas, até contraditórias, e assim sendo também não podemos duvidar que que inúmeras dessas tais coincidências entre os deuses tenham meramente sido encobertas. Se intencionalmente, bom isso é uma outra história.