Cada “ciência” tem seu “método”? – Ou: Como não confundir termos científicos usando de “Filosofia de Boteco”!

Recentemente fui interpelado com a ideia de que cada “ciência” tem o seu “método”,  será? Muito embora pareça contra intuitivo, a Ciência não trabalha com cada ramo tendo  uma metodologia desenvolvida somente para si. A Ciência como um todo tem um método, o Método Científico (óbvio!). Talvez excetuando-se a extremamente recente Física Teórica, por exemplo, todas obedecem de uma maneira ou de outra o mesmo esquema.

O método é único, os meios de como empregá-lo é que variam. Historiadores não usam tubos de ensaio para conduzir testes de amostragem, mas usam coleta de documentos de diversas fontes com o mesmo fim. Para um bom entendimento recomendo as “Regras Simples”, apanhado de Carl Sagan, descrito novamente por Neil Tyson, no excelente Cosmos!

O Método Científico, como é descrito hoje, consiste na observação, coleta de evidências, testes falseáveis, avaliação e elaboração de hipóteses e teorias, para assim descrever e entender um fenômeno natural. Quais meios usar depende do ramo, e isso se estende a praticamente tudo, exceto como disse, a Física Teórica, com previsões matemáticas, e outros raros ramos.

A confusão está em mais uma vez confundir técnica, sinônimo de método no jargão popular, com o Método Científico em si. Infelizmente, não somos nós que escolhemos os termos. O vocabulário científico apesar de usar certos termos prosaicos estes não tem os mesmos significados. Se assim fosse “teoria” e “hipótese” em Ciência seriam aparentemente sinônimos.

E antes que eu me esqueça, não vamos confundir também Filosofia com Ciência. O Método, desenvolvido e aprimorado a partir da bases filosóficas, contempla unicamente a Ciência em si, não a Filosofia, visto que para essa toda discussão recai, como em toda questão contra intuitiva, no mesmo infortúnio do quarto escuro e a eterna busca por seus bichanos pretos!

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Exercício lógico condicionado e falseável – ou – Porque não emprestar dinheiro sem garantias

Suponha que tem um amigo, aí do seu trabalho, alguém de sua mais inteira confiança. Vocês tem uma amizade de longos anos, você inclusive conhece seus pais e parentes próximos, e estes o tem como um ente mais que querido. Esse amigo, tem ótimas condições, é até um pouco abastado, tem casa própria, automóvel, enfim ele é senhor de uma vida confortável, o mesmo se aplica a sua família. E em dado momento, esse lhe pede um empréstimo.

É uma boa soma, entretanto, ela não agride qualquer de seus limites financeiros, mesmo a curto prazo. É um excedente com o qual você poderia lidar, sem muitos sobressaltos. E assim, racionalizando os termos de acordo, do ‘contrato social’ que tem por anos com essa pessoa (as garantias pessoais e financeiras presentes ali) você cedo ou tarde acaba cedendo. Isso é coerente e racional, embora seja também, deveras, como um ‘tiro no escuro’.

Agora imagine que você tem um conhecido, vocês mal se viram estes os últimos anos. Ele é um amigo da época da faculdade, ‘solteiro convicto’ e desempregado, mora com sua mãe, e se mantem graças a parca pensão da boa senhora. Vale citar que não tem fundos, imóveis, ou qualquer tipo de reserva. Tudo o que possui está, a bem da palavra, ‘as vistas’. Vez outra vocês se encontram, e em uma dessas vezes, esse lhe pede um empréstimo.

Porque ele precisaria desse dinheiro? Você imediatamente se irá perguntar. E para essa dúvida você não tem nada além de um: “Confie em mim! É uma emergência!” Para piorar o valor solicitado bate exatamente com seu fundo de reserva, cheque-especial, ou o que seja, representa tudo o que você tem aí sobressalente. Saiba, você passará mais tempo pensando em uma desculpa para sair correndo, do que se deveria ou não atender a essa sua solicitação.

Se você compreende bem ambas as situações, e discernindo chega as mesmas conclusões, a pondo de propor a mesma ideia a outrem, e este idem, encadeando uma construção lógica que só pode ser derrubada, mediante novas evidências, (talvez seu conhecido ganhou na loteria e precisa de um táxi, ou seu amigo do trabalho é viciado em jogos e está falido por conta disso), saiba, você compreende, e está empregando, de puro Método Científico.