Aprovado!

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PT, protestos e os ‘inusitados’ manifestantes nordestinos

Se uns meses atrás você ousasse declarar qualquer opinião contraria ao governo, desde as posições do congresso até da presidência, aqui no nordeste do país, você estaria em “maus lençóis”. Basicamente seria ignorado, quiçá taxada de “do-contra” ou até maluco. Logo lhe ‘desenhavam um rosário’ de realizações do ex-presidente e sua sucessora de fazer inveja a J.K.

E eis que começaram os protestos, logo se alastrando em todo país, primeiro devido o aumento das passagens, depois por motivos diversos. Houve quem apostasse que após a redução das tarifas eles terminariam, houve quem dissesse que eram até desnorteados. Sinceramente, não é o que vejo, na verdade estou orgulhoso da maior parte do ouço por aqui esses dias.

Não no que concerne, óbvio, ao resto do país, mas aqui na Paraíba e estados vizinhos, esses famigerados “vândalos de Facebook”, em sua maioria estão longe de uma massa sem consciência política. Não se ouve por aqui absurdos como a dissolução do congresso ou o banimento da Copa, por exemplo. Me pergunto se foi esse mesmo nordeste que apoia o PT? Bem, parece que não mais.

Muito pelo contrário do que diz a mídia de massa ou mesmo o que pareciam apontar as redes sociais, os protestos no nordeste estão sendo em suma extremamente comportados, inclusive contando com um sucinto suporte das autoridades policiais. Dessa maneira, fazendo a proeza tanto de integrar um povo, que apesar solicito, é também carente, em um só discurso: Acordamos!(?).

Fé e Ciência – E sem “detergente”!

Por definição fé é ter plena convicção de algo sem ter quaisquer evidências disso, o que é pura ingenuidade ou ignorância. Ciência e fé são ‘água e óleo’, e sem detergente. Um certo biólogo, que não me recordo o nome, costuma classifica-las assim: “Ciência: aqui estão as evidencias, o que podemos deduzir a respeito delas para chegar a uma conclusão? Fé: aqui estão as conclusões, onde podemos achar evidências que as possam corroborar?”.

Traduzindo fé é a desonestidade do pensar, é ‘atrasar o relógio em uma hora e se dizer pontual’. Uma teoria científica, diferente do jargão popular, que nada mais é que uma hipótese, um ‘chute’, não tem nada a ver com Teoria Científica, baseada em evidências, observáveis e testáveis. Ela, é claro, está sujeita a erros, mas diferente do que é dogmático, ela é auto-reparável, graças a comunidade e os seus próprios métodos de falseabilidade.

Claro há mistérios longínquos há se desvendar, entretanto não é com um “é porque deus quis” que vamos conseguir, isso é apego a ignorância. É preciso estudo, pesquisa e trabalho constante. Lembrando que cem anos trás mais ou menos ninguém cogitava voar de um continente a outro em horas, “só os anjos do Senhor poderiam realizar uma proeza dessas”, diziam. A abstração é necessária, todavia se prender a isso é ‘beber detergente’.

PLC 122 e Malafaia – Como não compactuar com o “Diabo”

Malafaia critica o texto da PLC 122: “É a ditadura gay, uma mordaça!”, acusa. Entretanto, o texto que aponta sequer está em discussão no Senado e na CDHM, isso desde 2009. Fazia parte unicamente dos primeiros textos, principalmente o proposto antes pela deputada Marta Suplicy.

No corpo da lei antigo e já descartado realmente havia certa ambiguidade e tendenciosismo, no mesmo volume em que encontramos inclusive em leis vigentes, como a famigerada lei de combate a violência doméstica, a Lei Maria da Penha. Era de se esperar que recebesse críticas.

Entretanto, o texto da PLC 122 apresentado na CDHM é mais coerente e inclusivo, justamente por não excluir quaisquer grupos sociais de serem tratados com uma total igualdade de direitos civis. A PLC 122 não é um projeto de lei anti-homofobia; é sim um projeto de lei anti-preconceito.

O senhor pastor prefere ignorar isso e nem sequer informa os seus asseclas e fiéis da existência dessa reformulação, já que isso minaria por completo a base de sua contra-argumentação, sua “guerrinha” contra os homossexuais, que, essa sim, se parece com o “advogar em causa própria”.

Dessa maneira, tenha sempre um pouco de bom senso! Antes de se prender ao senso comum e divagações tendenciosas, leia todo o corpo da proposta de lei, aí trace uma opinião, essa sim sincera. Se não gosta de homossexuais, ótimo, ignore-os, no entanto nunca compactue com, sabe, mentiras!

É só uma teoria, não tenho tanta fé!

Porque pessoas religiosas são extremamente céticas no que diz respeito a inúmeras coisas exceto suas crenças pessoais? Tudo passa pelo crivo analítico deles, mesmo o que nem entendem ao certo (como a diferença dos jargões científicos e populares, vide o termo “teoria”) menos aquilo que se negam a analisar, a própria fé. Porque o ceticismo dos religiosos não chega a suas crenças?

A chave de sucesso de diversas crenças religiões, em demérito de outras crenças também desprovidas de quaisquer bases, a meu ver está, não na “promessa” (como apontam seus seguidores), mas no medo! Medo este que pouco-a-pouco vem perdendo o ar sobrenatural, e nesses dias de avanço científico e do pensamento cético e racional. O medo aqui é da segregação, não aceitação.

O direito de amar

Tais perguntas são comuns de ouvir: “Se a homossexualidade tem que ser aceita na sociedade por ser parte da natureza, tanto que existe o comportamento mesmo entre animais, dessa maneira por que crimes como “a pedofilia ou a antropofagia”, são considerados também? Não são todos estes distúrbios de conduta e postura naturais aos seres humanos?”.

O que geralmente se justifica assim: “Assim como ninguém traz de berço o desvio de sua sexualidade, já que foram criados macho e fêmea. Ninguém também sente naturalmente apresso por ter relações sexuais com crianças, abusando de sua inocência, ou de se alimentar da carne de seus próprios semelhantes, por vezes assassinando suas vítimas no processo!”

Aqui tem um erro crasso, de raso uso do raciocínio! Primeiro que não existe um consenso sobre o que é a homossexualidade, ou como esta se desenvolve. Muito embora recentes pesquisas apontem que a bagagem genética do individuo tem nitidamente um enorme parcela de contribuição, vide as coincidências existentes em gêmeos monozigóticos.

Não obstante, se a homossexualidade é parte da natureza ou não, sendo “de berço” ou não, isso é irrelevante! Homossexualidade (posicionamento) ou homossexualismo (comportamento), não são crimes porque não agridem, física ou intelectualmente qualquer indivíduo, isso ao contrário do que muitos de nós queríamos que fosse, é um FATO, e inexoravelmente!

Igualar a simples prática, mesmo o desejo sexual, seja este heterossexual ou não, entre dois ou mais indivíduos, sendo estes condescendentes dos atos e ainda por cima emancipados, é um equívoco tremendo, no mínimo um ode ao conservadorismo, uma trava que os mecanismos sociais e religiosos, sustentam como um derradeiro suspiro de seu antigo poder.