A maldição de Cã – Retórica anedótica para justificativas absurdas!

Que a Bíblia considera a mulher um ser milhares de vezes inferior ao homem e que abomina a homossexualidade, isso é um FATO. Mas essa história de que toda a população do continente africano e seus descendentes são amaldiçoados devido um ancestral de Noé, daí as mazelas sofridas atualmente por essa etnia, essa eu sinceramente nunca vi, até esses derradeiros dias.

A Bíblia apoia a escravidão, são inúmeras as partes que mostram quais povos estão sujeitos a se tornar escravos, como tratar e mesmo como negociar seus servos, mas não fala nada especificamente sobre negros. Seria até crime, juridicamente falando, fazer tal apologia. É inusitado ver apologéticos, como o senhor Marco Feliciano, fazendo isso abertamente.

Retórica anedótica, por parte deles, óbvio! Tal justificativa é falsa, até biblicamente. É a mesma que usam para afirmar que a serpente da paraíso seria Satanás travestido, um enxerto posterior, uma conveniente distorção do texto. Os personagens em questão foram figuras criadas para explicar a origem e justificar as desavenças ancestrais com povos que os autores hebreus conheciam, o povo de Canaã, a “Terra Prometida”.

Em Gêneses é descrito como Cã, um dos três filhos de Noé, teria sido, em dado momento amaldiçoado por seu pai, por te-lo visto nu. Esse personagem seria, segundo os apologéticos, o patriarca do referido povo. Assim de acordo com estes ( não com a Bíblia), todo o povo africano (e não o cananeu) é castigado, simplesmente, por seu ancestral ter visto um idoso despido (pasmem!).

O imperialismo europeu até o fim da Primeira Guerra, séculos e séculos de exploração durante o período colonial, e a intensa segregação social por parte de outras etnias (vide o Apartheid sul africano), com centenas de registros e documentada largamente ao longo da história, é (claro) “depressível”. O fato de que, como é sabido, que o homem teve sua origem no continente africano e todos temos essa descendência, deve ser irrelevante!

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Josué Cristo

Nunca houve um “Jesus”. Etimologicamente falando, a palavra é uma transliteração do verbete dos escritos originais em grego, contidos no Novo Testamento: “Iesous”, que por sua vez é uma adaptação do nome hebraico “Yehoshua”, que nas traduções atuais aparece no Antigo Testamento, contudo referindo-se a outro personagem, Josué.

Josué é descrito como o jovem e carismático líder militar do povo hebreu, que após a morte de Moisés, (que nunca foi lá muito popular entre os seus) assumiu o comando das milicias armadas que viriam por conquistar a Terra Prometida, “dada” a estes povos por seu deus Yahwe (Jeová ou Javé, nas modernas traduções), desde os patriarcas.

Um fato interessante é o nome do famigerado herói hebreu, Yehoshua, entre os séculos I AEC e I EC, precisamente durante a ocupação romana, era muito popular entre os insurgentes judeus. Nesse período existiram muitos personagens, reais ou não, com o nome Josué, que para os escritos em grego era Iesous, ou como chamamos, Jesus.

Dessa maneira, não é de estranhar que se, por ventura, aparecesse um “salvador” entre os israelitas, com certeza seu nome seria Yehoshua. Josué (ou Jesus) era apontado nas escrituras como o homem que retomara a “Terra Prometida”, seu nome representava os ideais nacionalistas que só um autêntico “messias” poderia despertar.