Design Inteligente – Demérito da vida e do homem (Parte 2)

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Uma tolice, hoje vexatoriamente eu admito! O Design Inteligente, uma simples nova roupagem para o Criacionismo e seus mitos vãos da Idade do Bronze, tira todo e qualquer mérito do processo e tenta postular a existência de um “designer criador”, um arquiteto que teria, este sim, todo o mérito e não a própria natureza. Aí é que está, ao me colocar como parte da natureza que nos cerca, e entender o quanto todo um ecossistema é delicadamente integrado, posso me ver como parte do processo, e assim como todo ser vivo hoje, me ver vitorioso, um sobrevivente.

É vasta a literatura que evidencia a teoria evolutiva, e a enorme quantidade de provas que sustentam, maior ainda. É quase uma sandice simplesmente dizer que “não acredita” naquilo que muitos biólogos apontam como o Fato Evolutivo. Criacionistas modernos, meio que cansados de defender ideias risíveis como a coexistência de homens e dinossauros, de uns tempos para cá, tem se dedicado a apontar erros no “evolucionismo”, como procurar por estruturas biológicas complexamente irredutíveis, infrutiferamente, vez após vez sendo ridicularizados.

Pela evolução, a própria humanidade, nossa consciência e costumes são uma herança, um legado herdado das incontáveis gerações de seres vivos que lutaram para sobreviver e persistir, sendo cumulativamente modificados no decorrer do tempo. Se temos menos pelos, olhos na frente da cabeça, andamos eretos, além de óbvios polegares opositores e um córtex cerebral bem desenvolvido para nossas atividades, é porque simplesmente em um ou outro momento evolutivo, isso se tornou decisivo para sobrevivermos. E todas essas mudanças continuam.

Design Inteligente – Demérito da vida e do homem (Parte 1)

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É incrível a reticência das pessoas mesmo hoje em pleno século XXI em aceitar a Teoria Sintética da Evolução! Desnecessário dizer que muitos dos que se negam a reconhecer as óbvias evidências de sua veracidade, tais como os fósseis ou a genética, não a conhecem propriamente, apenas sabem dela. Sim, são conceitos bem diferentes, eu por exemplo sei muito de futebol, mas não posso dizer que conheço verdadeiramente o esporte, e o motivo para isso é o mais simples de todos, puro desinteresse, tanto para o meu caso quanto para todo “descrente do evolucionismo”.

Quando mais jovem eu era reticente, sabia bem da Evolução, mas assim como muitos eu me recusava a aceitar seus conceitos, como um todo quero dizer. Na verdade eu não a compreendia muito bem, por simplesmente preferir não aceitá-la, e por um único detalhe em particular. A “maldita” daquela teoria simplesmente expurgava (a meu ver), meu deus de todo o processo de surgimento e desenvolvimento da vida e de nós mesmos, o mérito estaria no próprio processo. Dessa forma o posto conquistado pelo homem na competição poderia ser de qualquer um.

O Design Inteligente, em todo ou em parte sempre me parecia uma oferta mais atraente, os seres vivos teriam surgido exatamente como são atualmente, muitos não teriam sobrevivido, mas primordialmente todos os seres vivos partilharam o mesmo meio ambiente terreno. Em dado momento aceitei inclusive que evoluções fossem possíveis, mas em micro-escala, micro-evoluções seriam possíveis vide as mudanças nas cores das penas de certas aves que as ajudaria a se camuflar. Era da vontade de Deus os que sobreviveriam, tudo inteligentemente “arquitetado”.