Contra Thomas Hobbs – Ou porque trocar a liberdade pela simples sensação de segurança é estar preso de antemão a própria ignorância

Thomas Hobbs tem um trabalho indiscutivelmente rico, reconheço, mas não compactuo com sua ideia do “Estado Natural do Ser”. No qual o filosofo aponta que existe o cerne na natureza do homem, a maldade(!).

Sendo, segundo o autor, meramente o medo uns dos outros advindo do contato, da proximidade em que vivemos, o que nos leva a abir mão de coisas como nossas liberdades individuais em troca de proteção.

De fato, o medo é poderoso, deveras. Mas biologicamente este é então somente uma ferramenta, um mecanismo de defesa, derivado de nossa própria evolução. E sociais que somos isso se estende a tudo que nos cerca.

Assim, é compreensível que por garantia da seguridade costumamos fazer essa escolha. Em contrapartida a evolução nos deu meios para nos desvencilhar da natureza, a ponto de ter o medo como um aliado ao invés.

Bem e mal são geralmente relativos. Buscamos sobreviver apenas e a vida, em seu sentido tão romantizado, se sintetiza na fuga das dores e na busca pelo prazer, que advêm de fatores diversos também por sua vez.

O tema da “total liberdade” já foi explorada até pela cultura pop. Em filmes como Uma Noite de Crime tudo é falível no cerne. O próprio filme mostra, ainda que pobremente, que não há patamar de igualdade.

Tudo não passaria de um safári para elites, limpeza social. Econômica e politicamente falando a coisa também não se sustenta. Quem impediria que esse “Carnaval” não fosse além da Quarta-Feira de Cinzas?

O conhecimento é pecaminoso?

Todo conteúdo é passível de discussão, uns se se sustentam em bons argumentos, outros não. E estes vem de estudo, conhecimento, e observação. Fui sim, um religioso fervoroso, por anos, ouso dizer que bem melhor que muitos. Deixar de conhecer a mensagem que nosso deus diretamente me enviou, para o cristão que era seria uma sandice(!)

E esse mesmo conhecimento que o crente menospreza levou-nos, como humanidade, a um sem número de avanços, da tecnologia a sociologia. Devemos ser gratos aos homens e mulheres que trabalharam, e trabalham, em função da Ciência. Pratique toda sua ritualística, no entanto saiba que orações, aparentemente são em suma mais que ineficientes.

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Resumindo: Adquirir o conhecimento implica em abandonar a obscuridade, e é desse esclarecimento que vem a verdadeira libertação. O cristão óbvio renega o conhecimento, mesmo o que lhe diz respeito (observe como raros são os que sequer leem a Bíblia). Pudera, por anos, são doutrinados a isso. Suas lideranças sabem do perigo que representa o conhecimento.

Entretanto o saber por si só, representa somente o meio do caminho, há um problema pertinente aqui, e é o uso que se faz dele. De nada vale o conhecimento se não é feito com uso dele, ou não é compartilhado. Pesquise, absorva, mas não esqueça de compartilhar o saber, somente assim estará fazendo bom uso dele, eis o cerne de todo pecado.

Novos e velhos tempos – O início da secularização

Percebo ultimamente um grande movimento por parte dos religiosos em manifestar em desespero posições, favoráveis a sensos que remetem a Idade das Trevas, coisa que há pouco tempo não víamos.

Temos desde bancadas religiosas perseguindo minorias até extremistas promovendo terrorismo. Vemos um sem número de outros vieses de pensamento derivados diretamente de povos primitivos.

Essas opiniões já existiam, claro, mas não se expressavam de forma tão incisiva, isso nos passa a impressão de que algo os incomoda, e profundamente, como se estivessem a perder sua orientação.

Em quase todo o mundo é imenso o número de igrejas que fecham as portas, única e exclusivamente pela escassez de membros, o que se evidencia ainda mais nas novas gerações. A religião nunca foi tão antiquada.

Muito dessas correntes deriva de se promover avanços tecnológicos destinados a melhorias na qualidade de vida e educação das massas. A conta é óbvia: Menos ignorância, menos religiões.

O fato é que, diferente do esperavam, o mundo a sua volta não está ruindo. Temos menos desgraças que nunca, até desastres naturais são amenizados graças a nossa inventividade. E isso os perturba.

Sinceramente acho insustentável essa fase de trevas, essa ‘Caverna de Platão’ que vivemos. A contento fica o fato de que em muitos países secularizados de verdade esse foi meio que seu suspiro derradeiro.