O Casamento Gay

 

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Como era Jesus?

É quase um consenso entre os brasileiros que Jesus era um homem integro, bem apanhado e obstinado. Basta ir a rua e conversar com quaisquer cristãos para se ter toda uma arraigada descrição a cerca de pormenores dentre as mais obscuras do personagem, seus meios político e sociais de convivência, e mesmo de sua própria aparência!

Na verdade o personagem descritos nos evangelhos canônicos (observe que existem muitos detalhes contraditórios apontados nos apócrifos), é tão vago que qualquer atributo pode ser dado a ele sem maiores problemas. A estrutura e a estética da construção de Jesus Nazareno, de seu aspecto a traços intelectuais, lembra (vejam só, “surpresa!”) um mito.

Do mesmo modo que não posso saber com certeza se Hércules tinha ou não barba, ou se Mitra era ou não articulado na fala, nos vendem, por meio da tradição, um Cristo cheio de detalhes que não estão nas escrituras, falo desde a aparência física até a retórica. Quem garante se o personagem não era homossexual, de grande estatura, gago ou até alienígena?

PLC 122 e Malafaia – Como não compactuar com o “Diabo”

Malafaia critica o texto da PLC 122: “É a ditadura gay, uma mordaça!”, acusa. Entretanto, o texto que aponta sequer está em discussão no Senado e na CDHM, isso desde 2009. Fazia parte unicamente dos primeiros textos, principalmente o proposto antes pela deputada Marta Suplicy.

No corpo da lei antigo e já descartado realmente havia certa ambiguidade e tendenciosismo, no mesmo volume em que encontramos inclusive em leis vigentes, como a famigerada lei de combate a violência doméstica, a Lei Maria da Penha. Era de se esperar que recebesse críticas.

Entretanto, o texto da PLC 122 apresentado na CDHM é mais coerente e inclusivo, justamente por não excluir quaisquer grupos sociais de serem tratados com uma total igualdade de direitos civis. A PLC 122 não é um projeto de lei anti-homofobia; é sim um projeto de lei anti-preconceito.

O senhor pastor prefere ignorar isso e nem sequer informa os seus asseclas e fiéis da existência dessa reformulação, já que isso minaria por completo a base de sua contra-argumentação, sua “guerrinha” contra os homossexuais, que, essa sim, se parece com o “advogar em causa própria”.

Dessa maneira, tenha sempre um pouco de bom senso! Antes de se prender ao senso comum e divagações tendenciosas, leia todo o corpo da proposta de lei, aí trace uma opinião, essa sim sincera. Se não gosta de homossexuais, ótimo, ignore-os, no entanto nunca compactue com, sabe, mentiras!

O direito de amar

Tais perguntas são comuns de ouvir: “Se a homossexualidade tem que ser aceita na sociedade por ser parte da natureza, tanto que existe o comportamento mesmo entre animais, dessa maneira por que crimes como “a pedofilia ou a antropofagia”, são considerados também? Não são todos estes distúrbios de conduta e postura naturais aos seres humanos?”.

O que geralmente se justifica assim: “Assim como ninguém traz de berço o desvio de sua sexualidade, já que foram criados macho e fêmea. Ninguém também sente naturalmente apresso por ter relações sexuais com crianças, abusando de sua inocência, ou de se alimentar da carne de seus próprios semelhantes, por vezes assassinando suas vítimas no processo!”

Aqui tem um erro crasso, de raso uso do raciocínio! Primeiro que não existe um consenso sobre o que é a homossexualidade, ou como esta se desenvolve. Muito embora recentes pesquisas apontem que a bagagem genética do individuo tem nitidamente um enorme parcela de contribuição, vide as coincidências existentes em gêmeos monozigóticos.

Não obstante, se a homossexualidade é parte da natureza ou não, sendo “de berço” ou não, isso é irrelevante! Homossexualidade (posicionamento) ou homossexualismo (comportamento), não são crimes porque não agridem, física ou intelectualmente qualquer indivíduo, isso ao contrário do que muitos de nós queríamos que fosse, é um FATO, e inexoravelmente!

Igualar a simples prática, mesmo o desejo sexual, seja este heterossexual ou não, entre dois ou mais indivíduos, sendo estes condescendentes dos atos e ainda por cima emancipados, é um equívoco tremendo, no mínimo um ode ao conservadorismo, uma trava que os mecanismos sociais e religiosos, sustentam como um derradeiro suspiro de seu antigo poder.

“Ama o próximo…” só que não? – oratória pseudo-embasada de apresentadores televisivos

Um pastor evangélico (ou qualquer outra pessoa) deve ter o direito de expressar sua opinião (embasada em ciência ou na sua fé, ou não) a cerca da sexualidade alheia? As demais pessoas, atingidas direta ou indiretamente, por seu discurso tem o direito de tentar puni-lo ou simplesmente de tentar calá-lo, por temer a repercussão de suas palavras, tidas pela maioria como um ode a intolerância, até ao ódio?

Há nitidamente (ao menos para mim) um meio termo não observado, nesse caso em especifico. Todos tem direito a livre expressão, essa é uma das bases constitucionais, e de inúmeros países na atualidade. No mundo de intensos emaranhamentos culturais em que vivemos, a tolerância, o ato de aceitar que existem pessoas distintas umas das outras é de uma relevância, quiçá sem precedentes.

O que muitos ignoram é que grande parte dos ideais de constituíram essas bases ideológicas, vieram de intensos períodos revolucionários ocorridos nos derradeiros séculos, cujos expoentes que posso citar sem pensar duas vezes, estiveram na Reforma Protestante (!), na Revolução Francesa e Industrial. Praticamente todas as republicas do novo mundo estão construídas sobre essas conquistas.

Nos Estados Unidos, (assim como aqui) quando então na ocasião de intensos embates entre evangélicos, (geralmente o mais conservadores) e homossexuais por seus direitos de livre expressão, de suas convicções e de sua sexualidade, respectivamente, passaram por um (mais que necessário) consenso: seus discursos não poderiam nunca ter qualquer estímulo a intolerância.

Aparentemente o que se vê aqui são dias dos mais conturbados. Evangélicos temendo represálias (até punições), por unicamente expressarem suas crenças, e homossexuais que precisam sair em proteção de seu direito de ser o que é nitidamente de sua natureza. Penso que unicamente a tolerância e a aceitação serão decisivas para resolução desses empasses. Ou não seria mais o amor, a máxima da cristandade?