Contra Thomas Hobbs – Ou porque trocar a liberdade pela simples sensação de segurança é estar preso de antemão a própria ignorância

Thomas Hobbs tem um trabalho indiscutivelmente rico, reconheço, mas não compactuo com sua ideia do “Estado Natural do Ser”. No qual o filosofo aponta que existe o cerne na natureza do homem, a maldade(!).

Sendo, segundo o autor, meramente o medo uns dos outros advindo do contato, da proximidade em que vivemos, o que nos leva a abir mão de coisas como nossas liberdades individuais em troca de proteção.

De fato, o medo é poderoso, deveras. Mas biologicamente este é então somente uma ferramenta, um mecanismo de defesa, derivado de nossa própria evolução. E sociais que somos isso se estende a tudo que nos cerca.

Assim, é compreensível que por garantia da seguridade costumamos fazer essa escolha. Em contrapartida a evolução nos deu meios para nos desvencilhar da natureza, a ponto de ter o medo como um aliado ao invés.

Bem e mal são geralmente relativos. Buscamos sobreviver apenas e a vida, em seu sentido tão romantizado, se sintetiza na fuga das dores e na busca pelo prazer, que advêm de fatores diversos também por sua vez.

O tema da “total liberdade” já foi explorada até pela cultura pop. Em filmes como Uma Noite de Crime tudo é falível no cerne. O próprio filme mostra, ainda que pobremente, que não há patamar de igualdade.

Tudo não passaria de um safári para elites, limpeza social. Econômica e politicamente falando a coisa também não se sustenta. Quem impediria que esse “Carnaval” não fosse além da Quarta-Feira de Cinzas?

O fim da identidade nacional e o avanço da “Nova Roma”

A civilização romana só efetivamente destruía aqueles povos cuja cultura era forte o suficiente para não ser absorvida por ela. Cartago que o diga, seus campos foram queimados, suas cidades demolidas, população dizimada e seu solo salgado, desde as montanhas até a beira do mar.

Algo distante? Certamente que não(!). Nossa saudosa Atlântica Filmes, marco do cinema nacional, foi esmagada por pressões do cinema americano, e esse é só um exemplo. Assim também o Golpe de 1964 nos chegou por mera influência e atenção aos interesses do governo ianque.

Perseguimos as religiões de matriz africana, mesmo aquelas de origem nacional, dentre tantos outros traços culturais mais familiares a nós, parte de nosso cotidiano, e ao mesmo tempo temos um apresso todo especial a praticamente tudo que vem de além de nosso quintal.

Sou só eu ou alguém mais percebeu, direta ou indiretamente, que depois da nossa cultura e sociedade só nos restava um ínfimo de identidade, a identidade política, para fatidicamente a autoproclamada “Nova Roma” em sua eterna, inexorável e voraz fome vir a fagocitar? Temo que sim.

O porte de armas e a arma de porte

A questão não é se a posse e o porte de armas deve ser permitido ou não, nunca foi, nunca será. A questão é de, se por ventura for permitido, determinar quem está apto ou não a para isso. E não me refiro ao mero manuseio.

Obviamente isso advém de boa educação, algo praticamente inexistente no país, e isso em qualquer escala social. Não entendeu? Simples, ponha uma motosserra nas mãos de um chimpanzé, irrite o animal e observe.