Maturidade intelectual

O passo mais importante que se pode dar para o desenvolvimento do ser, a chamada maturidade intelectual, que independe da idade, é saber tomar decisões. Em Alice no Pais das Maravilhas, o autor demonstra a importância disso e como com isso Alice poderia se considerar uma pessoa madura.

Dizer que não acredita porque não acredita que o homem caminhou na Lua, mesmo havendo evidencias demonstráveis de que realmente isso aconteceu é o mesmo que dizer que acredita porque acredita na existência de Deus, mesmo alguém mostrando provas de que Deus foi inventado.

É comum ver crentes apontando quantos intelectuais e mesmo cientistas creem em deuses, de uma maneira ou de outra, ainda são pessoas religiosas. Claro que desconsideram o quão ter fé é socialmente conveniente, e de quanto essa crença contribuiu para a formação acadêmica destes: Nada.

Não disso ser muito sério. Se você se diz um crente, e tem uma bela bagagem intelectual, já tendo visto e revisto a quantidade de incongruências de sua fé, está sendo um grande desonesto intelectual, mas se não tem um mínimo de estudo ou bom senso de pesquisar, você é só bobo, e só isso.

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Eu quero acreditar! (Parte 2)

Leia também: Eu quero acreditar! (Parte 1).

Claro que fé pode significar um cem número de outras coisas, o que me refiro aqui é a fé no sentido religioso, místico, espiritual da coisa. São dois caminhos contrários, na fé religiosa a crença se sustenta na fé, na fé empregada no jargão popular há pistas que nos empurram para, aí sim, poder acreditar.

Religiosos fundamentalistas, apelam para a ignorância e se agarram ferozmente ao significado que as convêm, já pessoas mais esclarecidas tentam racionalizar suas crenças e atribuem esse significado (expectativa) a sua fé, por pura ilusão, já que como disse, não há evidências que as deem suporte.

Em ambos os casos, se por desonestidade intelectual (de propósito) ou desinformação (sem querer), estão sendo puramente ingênuas. Muitas são as pessoas que expurgam de seu meio quaisquer coisas capazes de contrapor sua fé, apontando que sua crença se sustenta somente nisso, ‘querer acreditar’.

Eu quero acreditar! (Parte 1)

Leia também: Eu quero acreditar! (Parte 2).

É comum ver religiosos arraigados atribuindo a sua fé características que esta não tem. A mais prosaica é dar a essa o porte de uma virtude, quando na verdade fé, a meu ver, é um ‘pecado’! É bastante fácil se confundir fé (uma atitude irracional) com expectativa  (minimamente plausível).

Muito embora essas ideias sejam totalmente antagônicas. Fé é irracional porque se baseia em alimentar convicções sem qualquer embasamento, enquanto que ter expectativas é fomentar certa esperança, entretanto, tendo evidências que suportem ou ao menos deem a entender que isso é possível.

Exemplo: se você estudou para prova dias e noites a fio, você espera, tem esperança, uma expectativa, de uma boa nota, se não estudou como se deve, foi displicente nas aulas, e ainda assim espera uma boa nota, você está alimentando uma falsa expectativa, você está meramente tendo fé.

A hipótese deísta

Deísmo é uma vertente ideológica moderna de crença na existência de um deus. Mais comummente adotada por acadêmicos e intelectuais que ainda tem uma ou outra remanescência que se possa determinar como de procedência ‘religiosa’, entretanto desprovida de toda a sorte de diretrizes derivadas de uma ou outra mitologia. Mitologia essa que a construção do mote do Deísmo também não o irá apresentar.

Concordo com a posição do Deísmo como tentativa de racionalizar a crença em uma entidade criadora e mantenedora, em em vários pontos, principalmente o da não interposição posterior. Em verdade, no que concerne ao poderio e a imparcialidade da análise científica, aplicada em quaisquer eventos, veremos que o problema não está na existência ou não de este ou aquele deus, mais no naturalismo, vide Karl Popper.

Jeová, Jesus, Alá ou quaisquer outros, poderiam plenamente ‘existir’, (devidamente desprovidos de sua extensa mitologia, é claro) sincretizado-se a construções deístas – “Já que havendo uma causa primeva e esta seria a divindade”, procrastinam. Ótima a construção! No entanto, ao atribuir ao nosso universo conhecido uma causa não causada, eterna, (senciente ou não) temos obviamente aí o empasse.

Das duas uma: Ou entramos sumariamente em uma série de causas que terminam em outras causas, ‘ad infinitum’, ou encoramos em falácia por argumento especial. Um ser que causa precisaria ser causado, e ainda que não, transborda a carência de propósito na suposta ‘construção senciente’, a hipótese um universo sincronizado, cai por terra em uma mundana poça de água. Saudoso Sir Douglas Adams!

Outro mote bastante prosaico e quase dogmático é o: “A ausência de evidência não é evidência de ausência”. Sobre o argumento cíclico de ausência e evidência, não há como atribuir a quaisquer situações o mesmo peso. Posso dizer que apesar de não haver evidências de seres vivos em outra parte do cosmo devido a pesquisa ainda rasteira, mas não posso descartar a possibilidade, visto que temos seres vivos e aqui.

Exemplares esses que podem ser observados, estudados e testados, uma a uma, e por diversos pares, mérito este que a deidade deísta não tem. Assim como, mesmo em sua complexidade, os esses seres vivos compartilhar elementos abundantes em toda a vastidão do universo (ainda que sob certas condições mais raras), pior para a contra-argumentação. Assim sendo, o deus continua… uma ideia.

A estagnação do pensamento crítico e o futuro das religiões

Simplesmente não entendo como mesmo nos nossos dias, ainda existem tantas pessoas com a mente aparentemente em estagnação. E tudo isso por conta dos ditames da sociedade em que vivem, obviamente construídos com bases religiosas.

Isso diz respeito a praticamente todo os campos, desde travar o avanço das ciências até negar direitos civis das  minorias. Em detrimento de aceitar as evidencias, optam por se prender, e sem questionar, aos devaneios de uma simplória mitologia.

Religiões se põe, geralmente, numa posição bem complicada. Se dizem detentoras de uma verdade que é absoluta. Isso, é claro, traz estagnação, na pior das hipóteses representa um entrave sem tamanho a muitos processos de evolução sócio-política.

Se existem religiosos abertos a questionamentos, estão contrariando as vezes sua própria fé, as vezes criando uma religiosa própria. Chamo isso de fé não institucionalizada, a meu ver é o futuro da fé, para não dizer sua sobrevivência.

A pura crença apaziguadora, em deuses ou em uma pós vida, com normas determinadas não por uma instituição, mas pelo puro bom senso e embasadas na tolerância e no bom convívio sócio-político, representa esse tipo de religião do futuro. Uma utopia?

Jesus Cristo é o senhor… “gray”?

Em um futuro distante e utópico, se após entrarmos em contato com civilizações extraterrestres, formas de vida inteligentes, fisiológica e morfologicamente díspares de nós, seres humanos, como isso se encaixaria no contexto bíblico? O dogmatismo cristão que incluí o pecado original e criação do homem á imagem e semelhança de Deus continuariam válidos? Apenas nós, humanos, teríamos direito a salvação?

Bom, ao menos na ficção as religiões que sobrevivem após uma possível proliferação da humanidade pelo cosmo, mantendo contato com povos alienígenas, não são as de cunho messiânico, que obrigatoriamente dependem de um plano de salvação, um ato expiatório, um messias enviado por Deus… Geralmente, na ficção as religiões que vemos são menos pessoais, são vagas, muito mais meditativas ou filosóficas.

Todavia, falando “a vera” o cristianismo já sobreviveu a percalços enormes, como explicar as incômodas coincidências de seus eventos principais com mitos de civilizações nitidamente pagãs. Para tanto suas lideranças se valeram do fato de sua crença ser muito permissível, tecnicamente a religião menos “religiosa” que se tem notícia. “Digamos então ao povo que são maquinações de Satanás, voltando no tempo!”

E é justamente por isso não há praticamente qualquer problema que venha a surgir, que os mais inusitados malabarismos hermenêuticos não deem conta. Poderiam assegurar aos fiéis que os extraterrestres ainda esperam por seu salvador, que estes são um povo nobre, desprovido de pecados, que somos espiritualmente semelhantes, que foram novas intervenções diabólicas, quiçá crucificando mais um, ou dois.

Cabo de guerra – Fiéis versus fé!

 Você já se pegou pensando: “Como a religião cria seus ditames e como as sociedades são construídos sobre eles, e em dado momento a própria população que a seguia se volta contra seus dogmas, os esquecendo, e mesmo assim as religiões permanecem vivas e respirando.” (diferente de você depois de ler isso)?

Bom, a coisa toda funciona bem parecido com a política, sendo mais ou menos assim: A religião apresenta seus dogmas, baseados no que suas lideranças acham correto (leia-se conveniente e interessante a eles próprios e a manutenção de seu poder), o povo segue os ditames e a sociedade é construída sobre os tais.

Em dado momento a racionalidade e a conscientização, apontam que um ou outro dogma não tem qualquer coerência (leia-se, está terrivelmente errado), e a população se nega a obedecer. A igreja começa a perder fiéis, descontentes que estão com as continuas reafirmações daquele ditame que é tão “inconveniente”.

Daí, a religião finalmente cede, volta atrás, as vezes até com uma retratação pública. Tais ditames são então alterados (ou mesmo esquecidos). E todos voltam felizes para a fé. Bom, nem todos! Muitos abandonam a fé, outros esmorecem a fé, e outros ainda nos saem com uma fé “nova”. São muitas e muitas “fezes”!