Porque odeiam ateus?

Certa vez lendo o trabalho da socióloga Silvia Dias, professora de sociologia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), em seu livro Rituais de Sofrimento, onde esta aponta o quanto o Reality Shows se aproximam de uma espécie de rito de tortura, pude traçar um interessante paralelo com o expurgo social de pessoas que manifestam publicamente esse seu desapego às religiões.

Ao longo do seu estudo a pesquisadora percebe que mesmo com todos os abusos aos quais os participantes dessas produções são expostos suas diretrizes se permeiam aos conceitos prévios dos indivíduos ao ponto de se sobrepor, criando ali um círculo social tecnicamente sólido o suficiente para não ser questionado, até mesmo para ser defendido por seus adeptos.

Fica ainda mais claro quando é punido, odiado, ou mesmo digno de perseguição, ainda que momentânea, aquele dentre os membros do Reality Show que viola os preceitos com os quais teria previamente concordado, mas em se tratando de um participante que simplesmente abandona o programa tudo muda, e para pior, indubitavelmente se tornará um pária.

Não é raro a memória popular ter nítida a personagem de um ou outro dentre os outrora participantes de uma dessas atrações que se portara de maneira questionável, até desonesta ou desprezível, contudo quando se procura por qualquer coisa relacionada aos seus desistentes praticamente nada vem à tona, nem mesmo os seus nomes, estes são esquecidos, (tem que ser!).

Para maior parte da sociedade, existindo um prévio acordo de comportamento. Todos sem exceção deverão em maior ou menor grau de comprometimento aceitar seus termos e obedecer seus preceitos. Todo aquele que questiona o acordo acaba em um certo momento expondo os erros existentes ali, e pior, que aquele sistema não é o único, há um sem número de alternativas.

E assim como acontece em um sem número de atividades desse tipo, desde brincadeiras as práticas esportivas, é permissível que se discorde, trapaceei, até que se pratique de outra maneira a atividade, mesmo estando em oposição, no entanto não se permite socialmente que qualquer um opte por simplesmente não participar, pois isso expõe o quão tolos todos ali podem ser(!).

Bolsonaro e sua estrutura de governo

Particularmente eu divido esse governo em: Ministério da Propaganda, que é o Paulo Guedes e todos os malabarismos anti estatismo travestidos de neo liberais que ele tem em mente, e fará; e o Ministério da Cortina de Fumaça (auto-explicativo), que basicamente são todos os outros, principalmente o famigerado Ministério da Família, Mulher e Direitos Humanos.

Este governo tem como vantagem ter um corta-luz, que diferente dos demais, atua como tal sem perceber. O ministério realmente pensa estar atuando em favor do povo, hora nos salvando de um “Marxismo Cultural”, nomeando “olavetes” para supervisionar o ENEM, hora ajudando o desenvolvimento agrário, entregando reservas indígenas nas mãos de ruralistas(!).

Caso Queiroz – Resumo da Ópera

Em 2018, o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) rastreia  uma movimentação suspeita, R$ 1,2 milhão em um ano na conta de um assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz. Queiroz ainda teria passado um cheque de R$ 24 mil para Michele Bolsonaro, (a primeira-dama). Para em seguida, o presidente Jair Bolsonaro vir a público dizer que ele era o destinatário final, e que o real valor era de R$ 40 mil.

Em tempo vem à tona que funcionários do gabinete do senador repassavam um valor correspondente quase à totalidade de seus salários para o mesmo Queiroz. E descobre-se que Nathalia Queiroz, filha de Fabrício, e assessora do próprio Jair Bolsonaro, era funcionária fantasma do presidente da República, tendo em vista que apesar de estar na folha de pagamento da Câmara, trabalhava em uma academia e em tempo integral(!).

Descobre-se que um dos assessores do Flávio, Wellington Sérvulo, lotado na ALERJ, morava na Europa por quase um ano enquanto recebia normalmente o seu salário. Isto é, provavelmente se tratava de mais um funcionário fantasma. Queiroz e Flávio, se recusam a prestar esclarecimentos ao Ministério Público. Em tempo o próprio senador vai ao STF e pede para que a investigação seja suspensa. Estaria em alegação de foro privilegiado.

Vaza em diversos veículos de imprensa um novo relatório do COAF, revelando movimentações suspeitas diretamente na conta do próprio Flávio Bolsonaro. Sendo 48 depósitos seguidos, no valor de R$ 2 mil cada um, totalizando um repasse de quase R$ 100 mil para o senador eleito. Segundo o COAF, esse tipo de movimentação é comum de quem está tentando “lavar dinheiro”, ocultar parte de seu patrimônio, e em muitos casos ambos.

Em mais um dos trechos do relatório do COAF, é descrito detalhadamente que na verdade Fabrício Queiroz não movimentara “apenas” R$ 1,2 milhão no período de um ano, mas um montante de cerca de R$ 7 milhões em 3 anos(!). Pelo conjunto da obra, a suspeita mais sólida é a de que diversos dos assessores de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro eram obrigados a devolver parte ou totalidade dos seus salários para a família Bolsonaro.

Reforma Trabalhista versus Reforma da Previdência: Às contas…

Para quatro horas por dia, seis vezes por mês, em regimente de trabalho intermitente uma empresa oferece de R$4,81 por hora. O salário mensal é R$115,44. O INSS recolhido pela empresa seria de R$23,09. A contribuição mínima exigida pelo INSS, porém, é de R$187,40.

Para se adequar à regra, portanto, o empregado precisaria desembolsar R$164,31. Ou seja, mais que o próprio salário, de R$115,44. Nesse caso, o trabalhador terminaria o mês devendo R$65,03!

Contra Thomas Hobbs – Ou porque trocar a liberdade pela simples sensação de segurança é estar preso de antemão a própria ignorância

Thomas Hobbs tem um trabalho indiscutivelmente rico, reconheço, mas não compactuo com sua ideia do “Estado Natural do Ser”. No qual o filosofo aponta que existe o cerne na natureza do homem, a maldade(!).

Sendo, segundo o autor, meramente o medo uns dos outros advindo do contato, da proximidade em que vivemos, o que nos leva a abir mão de coisas como nossas liberdades individuais em troca de proteção.

De fato, o medo é poderoso, deveras. Mas biologicamente este é então somente uma ferramenta, um mecanismo de defesa, derivado de nossa própria evolução. E sociais que somos isso se estende a tudo que nos cerca.

Assim, é compreensível que por garantia da seguridade costumamos fazer essa escolha. Em contrapartida a evolução nos deu meios para nos desvencilhar da natureza, a ponto de ter o medo como um aliado ao invés.

Bem e mal são geralmente relativos. Buscamos sobreviver apenas e a vida, em seu sentido tão romantizado, se sintetiza na fuga das dores e na busca pelo prazer, que advêm de fatores diversos também por sua vez.

O tema da “total liberdade” já foi explorada até pela cultura pop. Em filmes como Uma Noite de Crime tudo é falível no cerne. O próprio filme mostra, ainda que pobremente, que não há patamar de igualdade.

Tudo não passaria de um safári para elites, limpeza social. Econômica e politicamente falando a coisa também não se sustenta. Quem impediria que esse “Carnaval” não fosse além da Quarta-Feira de Cinzas?