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Deus ou Satã? – A gradativa inclusão da personagem de um adversário na mitologia judaico-cristã

Para os hebreus não existia originalmente a personagem do antagonista. Deus era único e verdadeiro ser divino atuante no dia-a-dia do povo judeu. Deuses de outras nações até os membros do panteão cananeu de onde derivaria o próprio deus hebraico caiam em desuso. Então de onde veio a famigerada persona de Satanás?

Vejamos para tanto unicamente duas passagens presentes no Antigo Testamento, contundentes para entendermos a curva de interpretação nos textos em dois períodos de tempo notoriamente distintos da história hebraica, para aí sim podermos entender o que poderia ter acontecido para vislumbrarmos isso.

E a ira do SENHOR se tornou a acender contra Israel; e incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, numera a Israel e a Judá.

II Samuel 24:1

Então Satanás se levantou contra Israel, e incitou Davi a numerar a Israel.

I Crônicas 21:1

A passagem de II Samuel data aproximadamente de 930 A.E.C., enquanto o trecho descrito em I Crônicas de meados do ano 430 A.E.C. Há um lapso enorme de tempo entre uma obra e outra. Em uma temos a presença atuante do adversário incitado por deus contra seu povo, em outra meramente a cólera daquela divindade.

A influência de religiões persas, como o zoroastrismo, culto onde a dualidade deus (Aura-Mazda) versus adversário (Arimã) era pré-existente, durante nação babilônica nesse ínterim trouxe a figura do adversário, do opositor ao deus judaico, Shatán, no original em aramaico, que latinizado se tornaria Satanás, ou unicamente Satã.