PT, protestos e os ‘inusitados’ manifestantes nordestinos

Se uns meses atrás você ousasse declarar qualquer opinião contraria ao governo, desde as posições do congresso até da presidência, aqui no nordeste do país, você estaria em “maus lençóis”. Basicamente seria ignorado, quiçá taxada de “do-contra” ou até maluco. Logo lhe ‘desenhavam um rosário’ de realizações do ex-presidente e sua sucessora de fazer inveja a J.K.

E eis que começaram os protestos, logo se alastrando em todo país, primeiro devido o aumento das passagens, depois por motivos diversos. Houve quem apostasse que após a redução das tarifas eles terminariam, houve quem dissesse que eram até desnorteados. Sinceramente, não é o que vejo, na verdade estou orgulhoso da maior parte do ouço por aqui esses dias.

Não no que concerne, óbvio, ao resto do país, mas aqui na Paraíba e estados vizinhos, esses famigerados “vândalos de Facebook”, em sua maioria estão longe de uma massa sem consciência política. Não se ouve por aqui absurdos como a dissolução do congresso ou o banimento da Copa, por exemplo. Me pergunto se foi esse mesmo nordeste que apoia o PT? Bem, parece que não mais.

Muito pelo contrário do que diz a mídia de massa ou mesmo o que pareciam apontar as redes sociais, os protestos no nordeste estão sendo em suma extremamente comportados, inclusive contando com um sucinto suporte das autoridades policiais. Dessa maneira, fazendo a proeza tanto de integrar um povo, que apesar solicito, é também carente, em um só discurso: Acordamos!(?).

IMX, ESG, Odebrecht ou você? – Quem pagou o Maracanã?

Já é de conhecimento do público (menos do ‘brasileiro médio’) o circo instaurado a cerca das obras no estádio Mario Filho (o Maracanã, amigo brasileiro). Desde de que tiveram inicio, era quase uma unanimidade nas redes sociais a ideia de que com os preparativos para o próximo Campeonato Mundial de Futebol (sim, a Copa, eu sei) os gastos passariam dos níveis considerados mais exorbitantes.

O apregoado maior estádio de futebol do mundo, teve cerca de um bilhão de Reais (não você não leu errado, eu escrevi bilhão) empregados em sua reforma! Superando até os mais céticos economistas, o evidente escoamento de verbas para ‘recuperar’, (eu disse RECUPERAR, não RECONSTRUIR) o estádio bateu todas as expectativas. Como aconteceu isso? Bom eu, assim como você, simplesmente não entendo.

Entretanto o pior ainda estava por vir. Em atividade o Mario Filho arrecadava para o governo cerca de 150 milhões de Reais anuais. Tendo isso em vista podemos ter uma estimativa que somente dentro de 6 anos teríamos um retorno dos investimentos. No entanto o governo (assim como é futebol, uma caixinha de surpresas) decide PRIVATIZAR o Mario Filho, ao custo de aproximadamente 180 milhões!

Essa decisão irá render ao governo um ‘retorno’ de mais ou menos 6 milhões ao ano! Não precisa ser um gênio para calcular que serão necessários 166 anos para pagar os custos unicamente desses ‘reparos’. Mas tudo bem,  pois o Maracanã, tem lucros de até 150 milhões por ano. Claro, estou sendo irônico! Privatizando, deixamos de arrecadar 150 milhões por ano para receber unicamente 6 , dessa negociata aí.

Não seria exatamente uma surpresa se por acaso se descobrisse que um consórcio constituído por empresas como IMX, ESG e pelo grupo Odebrecht, principais empresas financiadas com recursos do BNDS estivessem por trás da aquisição do estádio. Surpresa mesmo, é se descobrir que quem  está pagando cada centavo desse processo é você! ‘Emprestando’ dinheiro para alguém comprar uma coisa que pertence a você mesmo!

O voto é de todos?

Todos deveriam mesmo ter direito ao voto, pessoas politicamente leigas e mesmo pré-adolescentes e analfabetos (funcionais ou não)? Não seria a completa inaptidão do eleitorado a causa de haver tantos maus políticos a frente de nossas prefeituras, câmaras e senados? – Eu, sinceramente penso que em boa parte esse raciocínio está infelizmente mais do que correto.

Pense o seguinte: O quanto os desígnios de um certo grupo de pessoas (ainda que numeroso) deve ser fator determinante para o destino de toda uma população? Se por acaso eu não tenho uma carteira de motorista, tecnicamente não estou apto a dirigir, não tenho esse direito, o mesmo vale para o execício de inúmeras atividades, como medicina, direito ou… política.

Com base no princípio de que é preciso o devido preparo para o exercício de uma atividade deveras importante e cujos resultados definem os destinos de tantos indivíduos. É óbvio dizer que não, definitivamente, nem todos deveriam ter direito a voto. Essa seria uma decisão emergencial, claro. Melhorias continuas na educação pouco a pouco capacitariam todos ao exercício.

Mas isso nunca vai acontecer. Esse “monstro” que chamamos de democracia e estamos inseridos, entretanto que não passa de aristocracia (ou teocracia, vide a novíssima PEC 99 e os amplos poderes políticos que pretende conferir a certas ordens religiosas), nunca vai permitir. É necessário manter a massa ignorante, totalmente alheia aos poderes que tem… e não tem.

Parasitas e ditadores

Conscientemente ou não, lideranças religiosas vivem da desinformação. Gozam de uma posição que os dá de tudo, desde vantagens políticas até o próprio sustento, valendo-se da alienação e da ignorância da população. É da sociedade, criada sobre seus ditames ancestrais, que se alimentam. Esses chamados ministros de Deus se portam exatamente como parasitas.

Devido a situação crítica em que se encontra nossa educação, são amantes do populismo, digo isso sem partidarismos. Apaixonadamente se agarram a pseudo-ciência, semeando a irracionalidade, pois esta é a base dos axiomas nos quais suas irrevogáveis crenças, derivadas de escrituras carcomidas, se sustentam como um ancião, vide sua segurança!

Sua retórica de ódio canalizado e cheio de jargões e trejeitos, é a mesma de líderes carismáticos e apelativos (como os de um certo austríaco baixinho), são calcados num moralismo religioso retrogrado e reacionário. São estes senhores, dentre muitos outros, que no decorrer das eras vem com mesmo discurso, medonho e persuasivo, de dizer o que o povo espera ouvir.

Seus asseclas batem palmas, sem se dar ao trabalhar de sequer ponderar um pouco a cerca do que ouviram. É como dar lavagem a porcos sequiosos de qualquer alimento, por mais imundo que possa ser. Para a mente faminta de ódio e revolta, mesmo fezes retóricas tem um doce sabor de auto-afirmação, do acreditam e necessitam, não importando se de berros, ou, se de sangue!