Ateus versus agnósticos. Ou: Como não passar vergonha apontando divergências onde estas definitivamente não existem.

Diante de uma crescente onda de desinformação que vejo, só esclarecendo, atualmente os termos:  agnosticismo e gnosticismo são contrários e dizem respeito a saber sim ou não algo, independente do que seja. Do mesmo modo, Ateísmo e teísmo também só que dizem respeito a crença ou não em deuses, e SOMENTE em deuses. Ou seja, uma coisa não é contrariada pela outra.

Dessa maneira é perfeitamente possível si dizer, por exemplo, um ateu agnóstico, que não acredita em deuses mas não descarta a possibilidade, ou um teísta gnóstico, que acredita irrevogavelmente em deuses. Em suma: ser agnóstico no que diz respeito a deuses não descarta uma postura ateísta ou mesmo teísta. Distorcer a terminologia sim é deveras contraproducente!

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Porque a laicidade é importante?

Recentemente indicado ao STF, em decorrência do desaparentado em um acidente aéreo do então ministro Teori Zavascki, Alexandre Morais, vem causando certa “comoção”, meramente ao se posicionar como entendedor da importância do respeito a Laicidade no país, prevista constitucionalmente. Morais acredita que a expressão religiosa e o “não acreditar” estão no mesmo patamar, cabendo ao nosso Estado respeitar o Ateísmo!

A Laicidade para um país é um dos princípios mais essenciais de um base democrática! Seus princípios demandam a separação entre a soberania do Estado e suas religiões. Países assim não se embaraçam com posicionamentos teísticos ou ateísticos. Partindo desde sua Constituição esse é um Estado que não privilegia quaisquer crenças, não promovendo, mas também não suprimindo a existência e as convenções de quaisquer.

Mas porque isso teria tamanha importância? Bom, suponha que está querendo abrir uma pequena empresa. Sem a regulamentação do mercado por parte do Estado outros empreendimentos de maior porte basicamente o “devorariam”, tomando ou “canibalizando” (sim, economicamente esse é o termo) o seu negócio. Sua empresa provavelmente nunca teria perspectivas muito otimistas de crescimento, quiçá sequer manter uma coexistência.

Assim é no que concerne a Laicidade de um país. Sem esse mecanismo quaisquer outras ideologias, não condizentes com o que previamente determine o Estado seriam suprimidas. Como ocorre em Estados Teocráticos, perseguições de todos os tipos a crenças com pouca representatividade são rotina em nações carentes destes princípios, nas populações ricas, mas particularmente nas que possuem um baixíssimo IDH!

Como o vento

Deus existe, é um ente vivo, sensível para aqueles que se propõem a aceitá-lo, segui-lo. Deus é como o vento: não se pode ver o ar em movimento, todavia seu movimento é perfeitamente sensível, seus efeitos observáveis, mensuráveis. Temos aqui uma comparação deveras exacerbada.

Claro, é possível descrever, analisar e mensurar características de algo material (como o ar, do exemplo acima), presente no mundo natural, por meio da observação, e uns poucos testes simples. Assim trabalha a própria Ciência e seu método. O resultado disso é nosso conhecimento.

Já Deus, (ao menos o deus descrito no exemplo) é descrito pelos defensores da fé como insondável, intangível, um ente sobrenatural, fora da realidade palpável. É dito que Deus não pode, não apenas ser visto em todo o espectro, como também de ser detectado. De fato.

Seus ditos efeitos se resumem as tais experiências pessoais, sim o que sobra é o mero argumento anedótico. Os métodos para isso, óbvio, são descritos pelos líderes religiosos, conforme os convém, segundo seus ideais. Seguir a Deus, senti-lo, se resume a isso: obedecer apedeutas.

Regimes ‘ateístas'(?!)

É comum ver certos ignorantes, bobos ou apenas apedeutas em desserviço, apontando diversas atitudes repressoras presentes em regimes totalitários comunistas, dentre estes até mesmo genocídios, como que derivados do que descrevem como uma declarada “ditadura ateísta”. De onde tiraram uma bravata dessa categoria? Bem, vamos as pesquisas.

Levantes e Massacres por ideais revolucionários sempre existiram, derivados do choque de interesses políticos adversários, mesmo contraditórios, e como sabemos religião nada mais é que mero aparato de coerção de ordens político-sociais. Muitos mataram e morreram nesses embates de extrema provação, por todo o mote de ideais que sonhavam e construíam.

Acredite entre a Revolução Francesa e a Reforma Protestante não tivemos muitas discrepâncias, não nesse sentido. Eram ideais revolucionários e conservadores, previamente contraditórios em si, se chocando. Nesse ponto chegamos a uma interessante constatação: Ateísmo é por si só, sustentado por um mote de ideais políticos? Bom, evidentemente que não.

Nem o mais “cego” dos estudiosos políticos acham que os regimes totalitários comunistas, como o do revolucionário Mao Tsé-Tung, por exemplo, seguiam quaisquer obscuros “ditames ateístas”, meramente por regimes dessa natureza, terem combatido lideranças religiosas e proibido suas reuniões de maneira duramente repressora, até sanguinária.

Unicamente ignorando que ditadores comunistas, como o chinês em questão, também proibiram com a mesma sandice e violência, toda e qualquer entidade organizada, de grêmios estudantis a institutos acadêmicos, que pudesse representar de alguma maneira uma oposição a seu poder. Lutavam por concentração de poder, não contra ritos.