Sequelas do pensamento religioso

Tenho que reconhecer: Algumas dos mais desprezíveis indivíduos que tive o desprazer de “conhecer” recentemente as encontrei via as campanhas das tarjas de perfil, presentes em redes sociais como o Facebook. Aquelas com dizeres explícitos, do tipo: “Sou Livre Pensador” ou “Deus Não Existe”. Ditas céticas é repugnante ver que muitas não diferem em praticamente nada dos religiosos, e dos mais devotados(!).

Adeptos de teorias da conspiração, tendo pseudo cientistas como gurus alimentares, acreditando em toda sorte de charlatanismo, extremamente falaciosos, fechados a questionamentos ou só a serem razoáveis. Pelo que pude constatar relutantemente, e não de hoje, mas há uns anos, a mente criada e alimentada dentro da religião é mesmo como uma doença que mesmo curada deixa sequelas das mais profundas.

O Inferno existe?

Indo direto ao ponto e sem muita enrolação, a resposta é sim(!) Explico: Ao longo da Bíblia três palavras são traduzidas para português para fazer referência ao “inferno”: Sheol, Hades, Tártaro e Gehenna.

Sheol e Hades são palavras que se referem a mesma coisa: uma sepultura. A primeira em hebraico a segunda em grego. Então se o texto cita quaisquer dessas o autor está se referindo a túmulos, unicamente!

Tártaro, por sua vez, é o lugar em que os deuses helênicos aprisionaram os titãs depois da guerra contra estes, a Teogonia. Então isso significa que o inferno é algum tipo de quarto alugado do cárcere dos olimpianos?

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E finalmente Gehenna, o tal “lago de fogo”. Outra invenção, pois Gehenna nada mais é do que um lugar físico, mais precisamente o Vale de Hinon, que era onde os judeus queimavam o lixo, um aterro sanitário(!).

O inferno, segundo os moldes apregoados pelo cristianismo é obviamente de origem grega, mais precisamente de autoria do filósofo Platão, que o descreve em detalhes ao longo de sua obra, na tradição helênica.

Os judeus não acreditam em inferno, no entanto a ideia era bastante difundida. Nos primeiros séculos, após as investidas macedônicas e vivendo sob julgo romano, os judeus experimentavam uma “helenização”.

A Bíblia e o formato da Terra: Os teóricos da conspiração estão certos!

Se agarrar com unhas e dentes a religião e diversos de seus elementos em detrimento do que apontam as evidências é de uso comum de quaisquer fundamentalistas. Pudera, o método é deveras cômodo, de grande alcance e fácil aceitação pela maior parte da audiência.

Os chamados “Terraplanistas” atuais (nada mais que adeptos de uma teoria da conspiração que apesar de eventualmente estar em voga, é tão antiga quanto a própria ignorância) fazem uso de vários expedientes desse tipo, tais como valer-se de passagens como Isaías 40:22.

Ele é o que está assentado sobre o globo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; ele é o que estende os céus como cortina e os desenrola como tenda para neles habitar.

Cabe aqui ressaltar que a Bíblia, segundo os próprios religiosos, não tem como proposta atuar como um ensaio acadêmico de astronomia. Além do que existem várias traduções para o termo usado nessa passagem: Chuwg, mas todas dão ideia de círculo, duas dimensões.

O termo normalmente lido como “esfera” é Duwr que quer dizer, em hebraico, exatamente isso, “bola”. Por coincidência essa palavra é usada também em Isaías (22:18), sob outro contexto. Em suma, segundo o autor, nosso mundo teria exatamente aquele formato: um plano(!).

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Pensamento Positivo

Recentemente li um artigo intitulado Optimism and Cardiovascular Health: Multi-Ethnic Study of Atherosclerosis, que pesquisadores do publicaram na Paris Scholar Publishing Ltd. Bem interessantes, por sinal. Mais interessante ainda foi este ter sido apontado por diversos amigos meus como “Viver Positivamente Traz Mais Benefícios” ou “Prova que Pensamento Positivo Funciona”.

Bom, tecnicamente o artigo descreve na verdade uma certa correção entre saúde cárdio vascular com otimismo. Convenhamos que isso já foi identificado e é estudado há tempos pela Ciência Médica, o famigerado Efeito Placebo. Sim, embora na seja um consenso, isso funciona e muito bem; simplesmente pensar estar bem faz bem a nossa saúde até certo ponto, vide a Homeopatia.

Entretanto infelizmente a afirmação de se “Pensar Positivamente” não faz referência ao Efeito Placebo ou a saúde cardiovascular propriamente ditas, mas no que concerne a nos mantermos ou não em uma postura mais cética, ou de simples negação, este que é logicamente o ponto inicial a cerca de toda e qualquer ideologia, postura basilar sobre toda alegação ou informação.

Sermos capazes de nos prevenir de alimentar ou mesmo sustentar expectativas, para assim diminuirmos o impacto do stress no sistema límbico a que estaríamos nos expondo em caso de adotarmos uma posição contraria, mais esperançosa ou positiva, proporciona é claro menos frustrações, como apontam pesquisadores, e como experimentamos por vez inconsciente.