Yahweh é especial? (Parte 3)

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Do mesmo modo nenhum cristão ou muçulmano (dentre os moderados) quer expurgar a base da espada uma ao outro no meio da rua. E é exatamente por isso que não vejo, nada de especial em El, Yahweh, D’us. Claramente só uma “sobra” do deus sumério que era, esposo de Ashera, e rival de Baal, daquele panteão, devidamente ‘polido’ por anos de racionalização, derivada de nosso conceito crescente de humanidade.

Lendo fragmentos de textos mais antigos, como os do Prt M Hru ou da Enuma-Elish ou ainda os ‘recém-encontrados’ pergaminhos das cavernas de Qumran, tenho a mesma impressão que tenho lendo textos traduzidos, embora haja discrepâncias em uma ou outra ideia contextual, ainda assim nada que evidencie uma inspiração ‘divina’, parecem até mais supersticiosos e primitivos que as mais modernas traduções.

Por isso são exatamente os elementos mais explícitos do que um intrincado ajuste fonético-textual que eu busco minimamente como evidência. Infelizmente é tudo que religiosos tem. São mistérios, energias, forças, ideias, sentimentos, todos insofismavelmente ‘escondidos’. Um deus, dito todo poderoso, ou não (que para mim já soa absurdo), não teria um método mais eficiente que meras ‘charadinhas’?

Yahweh é especial? (Parte 2)

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Foco no deus abraâmico, pois é comum ver erguerem a bandeira de ‘deus primeiro’ em seu favor. Mesmo sendo este uma óbvia derivação sincrética, a exemplo dos deuses das religião mais novas, é em uma ou outra de suas construções filosóficas, um dos mais aceitos aqui no ocidente, mesmo entre intelectuais. Não, o deus, desprovido de traços humanos, e sustentado mais por axiomas que por dogmas que você crê é outro.

Aqui impera a crença em Jesus Cristo. Lógico que este modelo já carrega, além das (usurpadas) influencias helênicas originais, um sem número de camadas e reconfigurações posteriores, vide os padrões extremamente anacrônicos que usam em sua construção. Nos dias de hoje, a fé (menos ortodoxa pelo menos) no personagem do Jesus Nazareno lembra mais um tipo de deísmo ou panteísmo renomeados do que qualquer coisa.

Óbvio que o judaísmo, assim como todas as religiões e seitas abraâmicas derivadas dele, passou por mudanças, obviamente para se adaptar aos novos tempos, é notório que nenhum de seus acólitos (em sã consciência ao menos) tem em mente ‘apedrejar’ ninguém atualmente, quer por adultério, quer por rebeldia, ou coisa parecida. Certas comunidades cristãs tratam isso por ‘dispensação’. Quem copiou quem?

Yahweh é especial? (Parte 1)

Leia também: Yahweh é especial? (Parte 2) e Yahweh é especial? (Parte 3).

Primeiramente preciso dizer que felizmente não tenho um conceito pré-estabelecido para encarar quaisquer assuntos, nem mesmo alimento paixões por este ou aquele autor ou historiador, mesmo seus temas e tratados. O que aponto aqui é o que tenho visto confrontando e justapondo os dados. Sendo assim, se pretendemos tratar como históricos certos eventos miraculosos deveríamos dar a todos a mesma característica.

Há agravantes sérios para se crer que houve sincretismo entre o judaísmo e ritos anteriores. Achados arqueológicos, muitos com nomes e datas grafadas, serem datados com uma diferença de tempo que mostra bem a transição dos cultos tribais, ao politeísmo mais organizado, depois político-estatal, passando por rompantes de uma monolatria insurgente, até culminar no monoteísmo que conhecemos e viria a sobreviver.

Mas voltando ao judaísmo. Enquanto que cristianismo e islamismo datam dos recentes primeiros séculos de nossa era, este teria suas origens há pelo menos 1500 anos AEC. Não que a ideia fosse nova, vide as realizações do egípcio Akhenaton, que visando diminuir o poder dos sacerdotes de Amon, culminou em um monoteísmo a Aton, derrubado pouco tempo após sua morte, sendo ‘soterrado e esquecido’ por diversas gerações.

Josué Cristo

Nunca houve um “Jesus”. Etimologicamente falando, a palavra é uma transliteração do verbete dos escritos originais em grego, contidos no Novo Testamento: “Iesous”, que por sua vez é uma adaptação do nome hebraico “Yehoshua”, que nas traduções atuais aparece no Antigo Testamento, contudo referindo-se a outro personagem, Josué.

Josué é descrito como o jovem e carismático líder militar do povo hebreu, que após a morte de Moisés, (que nunca foi lá muito popular entre os seus) assumiu o comando das milicias armadas que viriam por conquistar a Terra Prometida, “dada” a estes povos por seu deus Yahwe (Jeová ou Javé, nas modernas traduções), desde os patriarcas.

Um fato interessante é o nome do famigerado herói hebreu, Yehoshua, entre os séculos I AEC e I EC, precisamente durante a ocupação romana, era muito popular entre os insurgentes judeus. Nesse período existiram muitos personagens, reais ou não, com o nome Josué, que para os escritos em grego era Iesous, ou como chamamos, Jesus.

Dessa maneira, não é de estranhar que se, por ventura, aparecesse um “salvador” entre os israelitas, com certeza seu nome seria Yehoshua. Josué (ou Jesus) era apontado nas escrituras como o homem que retomara a “Terra Prometida”, seu nome representava os ideais nacionalistas que só um autêntico “messias” poderia despertar.

Platão, Alexandre e a vida após a morte

Corpo e espírito. O conceito de que somos compostos de carne e ossos e de que essas nossas vidas não são duradouras, e que nosso corpo serve como recipiente para um espírito, esse sim eterno e diretamente senhor do nosso eu, não é novo. Platão, um dos mais proeminentes pensadores da antiguidade, acreditava que o ser humano era assim composto.

Não é de se estranhar que boa parte dos costumes helenísticos, com base nessas crenças platônicas, Alexandre (chamado O Grande), da Macedônia, um dos maiores conquistadores, senhor de um grande império, tenha  disseminado. Pudera, era uma das partes essenciais de sua educação, deveras muito importante, até para própria personalidade.

O vasto império criado por Alexandre sucumbiu, quiçá tão rapidamente quanto crescera, todavia sua relevância se perduraria por séculos, nas mais diversas regiões e das mais distintas maneiras. Dentre suas conquistas é importante mencionar um certo território, que por acaso anteriormente se encontrava sob domínio persa, a Palestina.

Nitidamente todo o povo dessa província recebeu também a sua porção de costumes helenísticos. Assim, mesmo mantendo, (até os nossos dias) raízes mais tradicionais e rigorosas, no judaísmo começaram a aparecer dissidências, ramos com discrepantes crenças. E dentre essas o conceito de ressurreição e vidas espirituais posteriores.

Antes desse período de conquista, a devoção religiosa dentre esse povos, se restringia unicamente à sobrevivência de seu povo e suas tradições, queriam ter uma existência honrosa e uma vida próspera, deixando condições razoáveis para seus herdeiros. Não havia quaisquer ações preventivas para uma suposta vida após a morte ou uma ressurreição!