Deus ‘escapa’ a Ciência? (Parte 2)

Leia também: Deus ‘escapa’ a Ciência? (Parte 1).

Os elementos que basicamente costumo separar para essa conjectura primariamente são: definição de entidade, de ‘ser’, a base da consciência em si; propósito inerente a uma criação não condicionada, ou ‘gênesis racional’; racionalização de amostragem, ou observação de interferência na ‘fisics’. É muito fácil dizer que: “Deus escapa ao método cientifico”, sem ao menos determinar que tipo de deidade está aí para se debater coerentemente.

Um deus, como o do deísmo, por exemplo, parcialmente me ‘escapa’, pois mesmo determinado como uma entidade consciente, notoriamente não há intervencionismo de sua parte. Muito embora ainda caia na ‘malha’ do método cientifico de avaliação, de sua possível existência, aqui descrito, por sua aparente carência de propósito na sua criação, a menos que este não se importe nem um pouco com logística ou gerência.

Entretanto deuses pessoais, determinados por crenças institucionalizadas ou não, que decorrem de uma extensa gama de derivações sincréticas, estes, assim como toda a mitologia que os cercam caem por terra com um mero vislumbrar das contradições de sua própria construção. Assim, se mora no céu, voa; se ouve preces, então viola o livre arbítrio; se é “Pai”, tem pênis.

Deus ‘escapa’ a Ciência? (Parte 1)

Leia também: Deus ‘escapa’ a Ciência? (Parte 2).

É prosaico ouvir construções filosóficas vãs nesse sentido, a meu ver de uma desonestidade sem tamanho. Pôr em pé de proporção evidência e existência, e pior, sem ao menos previamente determinar o que está sendo posto em estudo e quais características devem ser vistas em pauta, uma a uma, para ai sim, determinar os métodos mais condizentes, é pura ignorância, quiçá, um desserviço da parte de quem pende a hipocrisia.

Como mensurar a perfeição? Há coisas mais ou menos perfeitas por definição? Há graus observáveis para essa comparação? Posso me afirmar como pobre, ganhando dois salários mínimos ou meu amigo que mora na Alemanha pode dizer que é rico porque recebe € 550,00 ao término de cada mês? Claro, existe um grosseiro erro nessas construções: É a comparação sem parâmetros!

Só existe um meio de atribuir adjetivos de comparação, estabelecendo parâmetros, ‘isolando variáveis’, e qualquer semelhança com Ciência não é coincidência. Isolados os elementos de análise, aplicando-se o método e observando seus resultados, posso no mínimo dar graus de seguridade para praticamente toda ideia, mesmo: “Deuses, provavelmente, não existem!”.

Ciência, ciência e pseudociência (Parte 2)

Leia também: Ciência, ciência e pseudociência (Parte 1).

Por sua vez a Ciência (em maiúscula) compreende um campo mais específico do saber, um campo metodicamente restrito para ser sincero. A Ciência se vale de um método, os tais métodos científicos (vide Karl Popper), que tecnicamente descreve um processo de observação de evidências, testes e mais testes e mecanismos de falseabilidade, inevitavelmente.

Por fim, a pseudociência, como apontei antes, é qualquer tipo de dado que se diz ser embasado em “fatos científicos”, ou mesmo como tendo um alto grau de conhecimento, todavia que não resulta da aplicação de métodos científicos. O que quer dizer que pseudo-cientistas não estão verdadeiramente praticando Ciência, estão simplesmente sendo desonestos.

A pseudociência é uma reivindicação, meramente uma crença ou prática que se apresenta como de cunho científico, entretanto  pseudo-cientistas não aderem a um método científico, ou menos não um método válido. Carece de evidencias ou plausibilidade, não podendo ser confiavelmente testada por pares, melhor dizendo, não tem nenhum estatuto científico.

Ciência, ciência e pseudociência (Parte 1)

Leia também: Ciência, ciência e pseudociência (Parte 2).

É comum ver pessoas ignorantes (por opção ou não), ou simplesmente pseudo-intelectuais em desserviço, apregoando em seus discursos desmedidos que o que seu argumento é cientificamente embasado. Basicamente, o que fazem é usar de alguma ciência que possuem para construir teses de pseudociência, que defendem como Ciência.

Claro, há um erro aqui. Primeiro que é puro engodo uma construção desse tipo. Uma típica construção filosófica, baseada parcamente em experiências, muitas não comprovadas ou defasadas. Pseudociência, sem partidarismos de desserviço filosófico, ou “estupro” do bom uso de argumentos, é exatamente o que descreve o termo, é falso!

A ciência (em minúscula) descreve todo e qualquer conhecimento, seja este empírico ou não. Aqui cabem inúmeros englobamentos, mesmo a própria filosofia, mantidas as devidas proporções. Ter ciência de algo, basicamente é ter conhecimento aprendido desse algo, é estar ciente. Essencialmente todos os que tem conhecimento tem uma ciência.