Jesus realmente existiu?

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Sim, mas também não. A resolução de um impasse dessas proporções jamais teria uma resposta simples. Lógico, que o homem dotado de dons miraculosos, dito de origem divina, descrito nas escrituras, das Cartas Paulinas aos Atos, é sabidamente contestável, basta aplicar a Navalha de Occam ou apenas o bom senso para discernir que se esse homem existiu então de certo um sem número de outros místicos da época também teriam que ser reais, quanto a personalidade histórica, um homem da Galileia dotado de ideais pouco ortodoxas, revolucionário, e capaz de desestabilizar a ordem, e atrair a ira das autoridades, romanas e judaicas, é bem plausível.

Como o nome Jesus é uma transliteração do nome de um herói judeu ancestral, hoje conhecido graças a narrativa bíblica como Josué, muito popular naquela região, e tendo em vista o quadro de intensas revoluções no período, eventos estes com muito menos controvérsias que a existência do nazareno, e o sem número de “ajustes” documentais (como o que diz respeito do título de nazareno, um tipo unção ritualística, não uma origem) acho mais cabível dizer que não houve um “Jesus”, mas muitos. O que nos restou foi uma coxa de retalhos desses diversos pregadores apocalípticos.

Jesus e a adúltera – Ou: Teria Jesus mudado a “Lei dos Profetas”?

Em uma entrevista no programa do humorista Bill Maher com Ralph Reed, membro conservador da extrema direito do Partido Republicano, o político é colocado contra a parede quando o apresentador o questiona se este é parte dos cerca de 28% dos americanos, que segundo uma pesquisa acreditam na literalidade da Bíblia, e para seu azar, responde um sonoro “Sim!”.

Maher então saca uma lista, preparada de antemão, e começa a interpelar Reed a cerca das passagens mais execráveis de Velho Testamento. Desde se devemos ter ou não escravos até a famigerada passagem da adultera. Curiosa é a resposta rasa do entrevistado quanto a isso, a clássica desculpa de que “Jesus reescreveu a Lei no Novo Testamento”, que já ouvi inúmeras vezes.

O que o Bill, Reed e muitos ignoram é que ao que tudo indica, Jesus, ou melhor, aqueles que escreveram o texto, não tinham interesse em reparar a Lei, pelo contrário. No trecho em questão o Rabi aparentemente se aproveita de uma brecha, que diz que os acusadores deveriam estar puros, isto é, deveriam ter imolado um animal de véspera, para assim ter seus erros espiados.

Entretanto, suponho que se dentre tais acusadores existisse ao menos um que estivesse, “sem pecados”, como descreve o texto em questão, o Capítulo 8 do Evangelho atribuído ao apóstolo João, a pobre mulher pereceria a pedradas como era mandatário na Lei dos Profetas. Óbvio se levarmos em conta que é verdadeiro o acontecido, o que eu sinceramente duvido, bastante(!).