Pensamento Positivo

Recentemente li um artigo intitulado Optimism and Cardiovascular Health: Multi-Ethnic Study of Atherosclerosis, que pesquisadores do publicaram na Paris Scholar Publishing Ltd. Bem interessantes, por sinal. Mais interessante ainda foi este ter sido apontado por diversos amigos meus como “Viver Positivamente Traz Mais Benefícios” ou “Prova que Pensamento Positivo Funciona”.

Bom, tecnicamente o artigo descreve na verdade uma certa correção entre saúde cárdio vascular com otimismo. Convenhamos que isso já foi identificado e é estudado há tempos pela Ciência Médica, o famigerado Efeito Placebo. Sim, embora na seja um consenso, isso funciona e muito bem; simplesmente pensar estar bem faz bem a nossa saúde até certo ponto, vide a Homeopatia.

Entretanto infelizmente a afirmação de se “Pensar Positivamente” não faz referência ao Efeito Placebo ou a saúde cardiovascular propriamente ditas, mas no que concerne a nos mantermos ou não em uma postura mais cética, ou de simples negação, este que é logicamente o ponto inicial a cerca de toda e qualquer ideologia, postura basilar sobre toda alegação ou informação.

Sermos capazes de nos prevenir de alimentar ou mesmo sustentar expectativas, para assim diminuirmos o impacto do stress no sistema límbico a que estaríamos nos expondo em caso de adotarmos uma posição contraria, mais esperançosa ou positiva, proporciona é claro menos frustrações, como apontam pesquisadores, e como experimentamos por vez inconsciente.

Cada “ciência” tem seu “método”? – Ou: Como não confundir termos científicos usando de “Filosofia de Boteco”!

Recentemente fui interpelado com a ideia de que cada “ciência” tem o seu “método”,  será? Muito embora pareça contra intuitivo, a Ciência não trabalha com cada ramo tendo  uma metodologia desenvolvida somente para si. A Ciência como um todo tem um método, o Método Científico (óbvio!). Talvez excetuando-se a extremamente recente Física Teórica, por exemplo, todas obedecem de uma maneira ou de outra o mesmo esquema.

O método é único, os meios de como empregá-lo é que variam. Historiadores não usam tubos de ensaio para conduzir testes de amostragem, mas usam coleta de documentos de diversas fontes com o mesmo fim. Para um bom entendimento recomendo as “Regras Simples”, apanhado de Carl Sagan, descrito novamente por Neil Tyson, no excelente Cosmos!

O Método Científico, como é descrito hoje, consiste na observação, coleta de evidências, testes falseáveis, avaliação e elaboração de hipóteses e teorias, para assim descrever e entender um fenômeno natural. Quais meios usar depende do ramo, e isso se estende a praticamente tudo, exceto como disse, a Física Teórica, com previsões matemáticas, e outros raros ramos.

A confusão está em mais uma vez confundir técnica, sinônimo de método no jargão popular, com o Método Científico em si. Infelizmente, não somos nós que escolhemos os termos. O vocabulário científico apesar de usar certos termos prosaicos estes não tem os mesmos significados. Se assim fosse “teoria” e “hipótese” em Ciência seriam aparentemente sinônimos.

E antes que eu me esqueça, não vamos confundir também Filosofia com Ciência. O Método, desenvolvido e aprimorado a partir da bases filosóficas, contempla unicamente a Ciência em si, não a Filosofia, visto que para essa toda discussão recai, como em toda questão contra intuitiva, no mesmo infortúnio do quarto escuro e a eterna busca por seus bichanos pretos!

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Como o vento

Deus existe, é um ente vivo, sensível para aqueles que se propõem a aceitá-lo, segui-lo. Deus é como o vento: não se pode ver o ar em movimento, todavia seu movimento é perfeitamente sensível, seus efeitos observáveis, mensuráveis. Temos aqui uma comparação deveras exacerbada.

Claro, é possível descrever, analisar e mensurar características de algo material (como o ar, do exemplo acima), presente no mundo natural, por meio da observação, e uns poucos testes simples. Assim trabalha a própria Ciência e seu método. O resultado disso é nosso conhecimento.

Já Deus, (ao menos o deus descrito no exemplo) é descrito pelos defensores da fé como insondável, intangível, um ente sobrenatural, fora da realidade palpável. É dito que Deus não pode, não apenas ser visto em todo o espectro, como também de ser detectado. De fato.

Seus ditos efeitos se resumem as tais experiências pessoais, sim o que sobra é o mero argumento anedótico. Os métodos para isso, óbvio, são descritos pelos líderes religiosos, conforme os convém, segundo seus ideais. Seguir a Deus, senti-lo, se resume a isso: obedecer apedeutas.

Quem ama o feio… – Relógios, O Universo e o Engodo da Perfeição

A nossa volta, em toda e qualquer parte, e para todo aquele que assim queira ver, há todo um universo, imenso, mas não incomensurável, nem sincrônico, nem (e sem qualquer sombra de dúvida) irretocável.

Aliás de onde será que as pessoas (mesmo as mais sensatas) tiraram esse ‘orelhudo coelhinho’, senão da ‘cartola’? Um universo que é como um relógio? A comparação poderia até ser risível, não fosse um tanto triste.

É possível perder horas esmiuçando, ponto a ponto, do quão absurda é a simples ideia de algo que não precisa de retoques, acertos, aparando o sem número de arestas de toda ‘imperfeição’ que é nossa realidade.

Vide o relógio. Em seu modelo mais comum, um mecanismo de pequeninas molas e rodas, usado para marcar o tempo, mas que ainda assim precisa de acerto. Lembre-se, relógios atrasam, as molas perdem tensão.

Tensionadas as molas, com sua energia acumulada, passam às várias engrenagens. Pouco a pouco a energia é convertida, temos movimento e os ponteiros, por cinética, vão girando. Bonito, todavia não perfeito.

O que entendemos por “perfeito” é uma mera abstração, não condiz com dados objetivos do mundo a nossa volta. Mesmo o universo, macro e micro, não se sustenta sem correções, constantes acertos.

O fato de não compreender muito da mecânica que deu início, mantém e possivelmente destruirá, o cosmo, não a invalida o que já verificamos, testamos, conhecemos e entendemos dele. Explicado? Perfeito!

A prece – Uma incongruência

O ato de rezar é descrito por muitos cristãos como uma maneira de qualquer um (isso mesmo, qualquer um!) manter uma conexão direta com o divino, para, desse modo, ter com ele um vinculo.

Métodos ‘transcendentais’ de comunicação não são uma novidade, nem uma exclusivos da cristandade. Eles estão no cerne religioso desde sempre, indo de metódicos mantras a cáusticas danças.

Todavia, sempre é imperativo o ritualístico. Danças, cantos, ou o que quer que venha a ser, se não esse contexto, costuma ser visto como ‘mundanos’, muitas vezes são até vistos como heréticos.

Os cristãos condenam atos ancestrais de conexão com o divino, como o holocausto. Embora, não existam evidências que (como judeus que eram) nunca o tenham praticado em seu passado.

Orar, constitui, como descrevem, em um ato de em contrição, conversar (sim, conversar!) com Deus. Expressando assim tristezas e alegrias, ‘dando graças’, e também exigindo outras.

Eis de todas a maior discrepância. Como e porque render graças, e pior, rogar por mais bênçãos, se como bem apontam, tudo está determinado? Isso é minimamente[!] sem qualquer sentido.

Se o seu deus, além de suas atribuições normais de ser eterno, a despeito de outros deuses do passado, é um ente benévolo, poderoso e senciente de tudo, porque precisaria de orações?

A menos que levemos em conta algo (que nem nos seus piores pesadelos queiram cogitar), algo que os assombra sempre: a hipótese de seu deus não existir, ou… ser um ente maligno[!]