A ideia do Jesus histórico – O problema em sustentar a historicidade de um mito aparente

Evidências de ritos cristãos ‘pré-existentes’ matam a ideia de um Jesus dito histórico. Muitos partem do princípio de que houve um homem, chamado Jesus, nitidamente um reestruturador dos códices judaicos. Infelizmente, não há pistas contundentes desses eventos. A ideia de um deus encarnado só surgiu em meados do século III, com a institucionalização dessas crenças por Roma.

Previamente havia a ritualística de Chrestus e os mitos do herói conquistador Yehoshua, transliterados Cristo e Jesus. Incrível, mas inúmeros foram os cristãos que foram perseguidos por negar a teoria de um Cristo que se fez homem carnal. Tudo parece provir de intenso processo de sincretismo, ora derivada naturalmente do contato entre os povos, ora por mera imposição dos governos.

Se tivermos que sustentar a ideia de um Jesus histórico, o mais ponderado seria admitir que houve uma construção de uma entidade, de caráter ‘histórico’, sobre a histórias de dezenas de outros. O mito do messias descrito como redentor do povo hebraico do domínio assirio, e os diversos candidatos a esse posto entre os séculos I AEC e I EC dão a ideia sustentação mínima.

Dois desses expoentes são Apolônio de Tiana e Simão, O Mago. Historicamente bem mais apanhados que o personagem dos Evangelhos, é descrito, e por diversos autores, como esses homens eram dotados de poderes nitidamente místicos e como, em diversos aspectos, se aparentam de maneira perturbadora com Jesus Cristo, de sua construção até realizações. Coincidência?

Bíblia – Porque tantas versões?

Porque os protestantes rejeitaram os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico, Macabeus 1 e 2, assim como os trechos de Ester 10,4-16 e Daniel 3,24-20; 13-14? Quem disse para eles o que era inspirado ou não? Visto a quantidade imensa de versões dos textos, e de outras coletâneas dos séculos I e II, e que só em 367 tínhamos a Bíblia que conhecemos hoje, pode-se dizer que Deus mudou de ideia ao longo do tempo?

Vejamos: O cânon judaico conhecido por cristãos como Velho Testamento e por judeus como Tanakh, ficou pronto em 70 EC, já o Novo Testamento como o conhecemos esse só em 367 EC. Claro que nesse meio tempo houveram outras versões, como a do Marcião, pronta antes do fim do século I, próximo a data do concílio rabínico de Jamnia, inicio do século II. O concílio de Nicéia realizado em 325, foi mesmo a “cereja do bolo”.

Jamnia, ocorrido em 70 EC após a destruição do templo pelos romanos, pelo visto foi uma resposta a intensa cisma que havia se dado no judaísmo, daí veio o Tanakh e seus 39 livros. Já Marcião, e seu cânon “herético” que nada mais era que uma versão do evangelho de Lucas, umas cartas de Paulo e o livro de Atos é que despertou no cristianismo uma corrida em elaborar sua própria coletânea, essa sim “verdadeira e inspirada”.

Embora o concílio de Niceia esteja na ponta da língua de qualquer historiador sério da Bíblia e do cristianismo (inclua raros cristãos aqui), a lista completa dos livros que compõem o Novo Testamento no modelo existe atualmente só aparece pela primeira vez citado na Epístola 39 de Atanásio de Alexandria, com seus 27 livros, em 367 EC! Claro, a exemplo de Apocalipse, houve centenas de outras inserções e inclusões, mais posteriormente.

Fica óbvio, com um estudo raso, da história da composição da Bíblia, que os livros transcritos da tradição oral, por gerações transmitidos somente de boca em boca, receberam e vem recebendo retoques com o passar dos anos, e tudo isso por daqueles que detém sobre os mesmos as tais das revelações, as lideranças. Nada tenho a dizer sobre as inspirações, exceto que essa  mais parecem a aspirações… políticas.

Maria, para que ti quero! (Parte 3)

Leia antes: Maria, para que ti quero! (Parte 1) e Maria, para que ti quero! (Parte 2).

Atualmente o culto a Maria, a mãe de Jesus é um dos mais populares da igreja romana. A “deusa” católica tem inúmeros devotos graças tendenciosa propaganda, milagres reconhecidos, assim como de templos e comemorações a ela dedicados.

Muito embora em nenhum momento as demais vertentes do cristianismo (principalmente dos ramos protestantes) tenha demostrado qualquer interesse em promover quaisquer ritos a personagem, se embasando (obviamente) nas escrituras.

Com razão. A personagem Maria, não é bem descrita nos canônicos, exceto nos textos atribuídos a Lucas. Os evangelhos não são concordantes a repeito de sua gestação, ascensão ou aptidões. Já sobre ter se mantido virgem até a morte, nada consta.

Maria, para que ti quero! (Parte 2)

Leia antes: Maria, para que ti quero! (Parte 1) e Maria, para que ti quero (Parte 3).

Abraçar os ancestrais cultos pagãos a personagem feminina da deusa, presente em inúmeras culturas, parecia a decisão mais sábia. Por meio do sincretismo, essa se achava já inserida na sociedade romana há séculos e tinha inúmeros devotos.

Coube a instituição católica o árduo trabalho de ir aos poucos imbuindo Maria, a mãe de Jesus de certa divindade, mesmo que contrariando as escrituras. Valendo-se de contos populares do período, e de certos éditos papais muito questionáveis.

Maria, para o catolicismo, era quase um “quarto membro da sua trindade”. Segundo seus dogmas, teria se mantido virgem até a morte, nunca teria entrado em pecado e (incrivelmente) ascendido também aos céus… Era como uma divindade completa.

Maria, para que ti quero! (Parte 1)

Leia também: Maria, para que ti quero (Parte 2) e Maria, para que ti quero (Parte 3).

As mulheres são a chave (sócio e politicamente falando), para sobrevivência de várias ideologias, são elas que passam as gerações seguintes seus costumes. E desde os primórdios da civilização, as lideranças religiosas tem conhecimento disso.

Geralmente vemos uma dessas estratégias: “vença-as”, minando sua autoridade e importância (islamismo) ou “junte-se a elas”, cobrindo-as de uma espécie de santidade, que seria “contaminada pela autoridade”, concedida aos homens (cristianismo).

E ao que parece a única coisa na qual a Bíblia não se contradiz de capa a capa, é em sua postura totalmente sexista. Em relação as mulheres, o texto é tão segregador, tão depreciativo, que a cristandade nitidamente precisou pensar em um Plano B.