Contra Thomas Hobbs – Ou porque trocar a liberdade pela simples sensação de segurança é estar preso de antemão a própria ignorância

Thomas Hobbs tem um trabalho indiscutivelmente rico, reconheço, mas não compactuo com sua ideia do “Estado Natural do Ser”. No qual o filosofo aponta que existe o cerne na natureza do homem, a maldade(!).

Sendo, segundo o autor, meramente o medo uns dos outros advindo do contato, da proximidade em que vivemos, o que nos leva a abir mão de coisas como nossas liberdades individuais em troca de proteção.

De fato, o medo é poderoso, deveras. Mas biologicamente este é então somente uma ferramenta, um mecanismo de defesa, derivado de nossa própria evolução. E sociais que somos isso se estende a tudo que nos cerca.

Assim, é compreensível que por garantia da seguridade costumamos fazer essa escolha. Em contrapartida a evolução nos deu meios para nos desvencilhar da natureza, a ponto de ter o medo como um aliado ao invés.

Bem e mal são geralmente relativos. Buscamos sobreviver apenas e a vida, em seu sentido tão romantizado, se sintetiza na fuga das dores e na busca pelo prazer, que advêm de fatores diversos também por sua vez.

O tema da “total liberdade” já foi explorada até pela cultura pop. Em filmes como Uma Noite de Crime tudo é falível no cerne. O próprio filme mostra, ainda que pobremente, que não há patamar de igualdade.

Tudo não passaria de um safári para elites, limpeza social. Econômica e politicamente falando a coisa também não se sustenta. Quem impediria que esse “Carnaval” não fosse além da Quarta-Feira de Cinzas?