Bíblia, Eusébio e a “santidade importada”

A palavra Bíblia, que dá nome ao cânone de escrituras cristãs, só começa a circular a partir do século IV EC, a partir de um pedido do imperador Constantino ao bispo Eusébio. O imperador solicitara que o sábio da Cesareia selecionasse uma ou outra dentre as escrituras disponíveis nas numerosas igrejas cristãs para conhecê-las. Eusébio então reuniu as escrituras que ele mais apreciava e as entregou a seu imperador.

Eusébio separara as obras da Tanakh bem como livros não considerados sagrados nos nossos dias e apresentou a Constantino, uma boa sorte de livros, uma espécie de mini biblioteca, daí Bíblia. Do grego βίβλια, que é o plural de βίβλιον, que transliterado seria bíblion, um “rolo” ou “livro”. O que conhecemos na atualidade como Bíblia Sagrada é uma compilação de livros, provavelmente baseada nessa compilação.

Não se sabe ao certo o quanto do texto ainda presente nos códices modernos da Bíblia, veio dos desígnios do famigerado bispo da Cesareia Marítima. No entanto é conhecida sua preferência pelas escrituras tal como eram apresentadas na versão Septuaginta, tradução helenística dos textos hebraicos, e dos seus extensos estudos com Pânfilo, presbítero também da Cesareia, no que concerne a Tanakh.

É de se imaginar que os livros da Tanakh, mesmo tão discrepantes que eram como os ensinamentos dos Evangelhos, só permaneceram no cânone moderno porque Eusébio os apreciava. Entretanto podemos deduzir também que anexando textos tidos como sagrados de antemão ao um novo compêndio era de se esperar que sua santidade “transbordasse” para os novíssimos textos, “permeando-os”.

E mesmo não havendo um consenso do quão ancestrais, (muito menos divinamente inspirados) são as escrituras da Tanakh, visto que o moderno cânone dos textos vem do recente concilio de Jamnia, em mais ou menos 70 EC, é óbvio que sincretizar desde costumes até escrituras de outras religiões anteriores, do zoroastrismo ao mitraísmo, era o que dava ao cristianismo seus ares de crença universal.

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