Verdades absolutas

Vivemos em um universo pouco comprometido com a ‘realidade’. Tudo ao nosso redor é ‘imaginário’, no sentido de que é meramente uma projeção criada por nossos cérebros baseando-se nos estímulos externos, devidamente captados por nossos sentidos, ou por aparatos que drasticamente aumentam essas nossas capacidades.

Como nem nossos sentidos, nem nossos aparatos estão livres de cometer erros cognitivos, fica fácil entender a importância do empirismo e do ceticismo pirrônico, como ferramentas para desvendar e esmiuçar a realidade, dando a esta contornos de convicção, ou não. Em suma, não há verdades absolutas, mas observáveis.

Verdades tem graus de aceitação, essencialmente baseados no quanto de indivíduos as vivenciam, ou tem convicção nas mesmas, surge daí o que chamamos de realidade sensível, que apesar de universal é também relativa. Ninguém discute se o céu é realmente azul, exceto filósofos pirrônicos. É tudo tomado de muito platonismo.

Métodos de sondagem crítica, devidamente aparatados de mecanismos auto-reguladores e totalmente desprovidos de sentimentalismos ou paixões, eram, são e serão uma eterna necessidade humana, e obviamente muito produtivos. Se não existisse a Ciência e seus métodos, nós a inventaríamos. Certeza ‘absoluta’!

Eu quero acreditar! (Parte 2)

Leia também: Eu quero acreditar! (Parte 1).

Claro que fé pode significar um cem número de outras coisas, o que me refiro aqui é a fé no sentido religioso, místico, espiritual da coisa. São dois caminhos contrários, na fé religiosa a crença se sustenta na fé, na fé empregada no jargão popular há pistas que nos empurram para, aí sim, poder acreditar.

Religiosos fundamentalistas, apelam para a ignorância e se agarram ferozmente ao significado que as convêm, já pessoas mais esclarecidas tentam racionalizar suas crenças e atribuem esse significado (expectativa) a sua fé, por pura ilusão, já que como disse, não há evidências que as deem suporte.

Em ambos os casos, se por desonestidade intelectual (de propósito) ou desinformação (sem querer), estão sendo puramente ingênuas. Muitas são as pessoas que expurgam de seu meio quaisquer coisas capazes de contrapor sua fé, apontando que sua crença se sustenta somente nisso, ‘querer acreditar’.

Eu quero acreditar! (Parte 1)

Leia também: Eu quero acreditar! (Parte 2).

É comum ver religiosos arraigados atribuindo a sua fé características que esta não tem. A mais prosaica é dar a essa o porte de uma virtude, quando na verdade fé, a meu ver, é um ‘pecado’! É bastante fácil se confundir fé (uma atitude irracional) com expectativa  (minimamente plausível).

Muito embora essas ideias sejam totalmente antagônicas. Fé é irracional porque se baseia em alimentar convicções sem qualquer embasamento, enquanto que ter expectativas é fomentar certa esperança, entretanto, tendo evidências que suportem ou ao menos deem a entender que isso é possível.

Exemplo: se você estudou para prova dias e noites a fio, você espera, tem esperança, uma expectativa, de uma boa nota, se não estudou como se deve, foi displicente nas aulas, e ainda assim espera uma boa nota, você está alimentando uma falsa expectativa, você está meramente tendo fé.

Lei “João” da Penha – Sexismo jurídico emergencial?

Muitos (ou devo dizer muitas?) são os que acreditam que a famigerada Lei Maria da Penha, criada em caráter emergencial (quiçá apaziguador) para coibir a violência doméstica contra mulher, é um códice “amplo” o suficiente para dar amparo tanto a esposas quanto a maridos vitimados, muitos por crimes hediondos perpetrados justamente por aquelas que juraram amar, muitas vezes diante “dos olhos de Deus e… pela eternidade”.

Contudo, houve até hoje somente um caso, em que um juiz deliberou, “curvando” essa lei, em favor do marido, mas não foi além disso. A lei tem texto nitidamente mal escrito, se é tendenciosa, isso não sei. Apedeutas ou panfletários feministas dirão que há mais casos de agressão feminina, verdade, mas isso não muda o fato que a lei está mal redigida, ou pior, que homens não tem esses direitos, pois não são frágeis. Cômico!

Para mim, sinceramente isso soa como sexismo deliberado pelo próprio estado. Tem a mesma impedância que a lei (e a própria sociedade como um todo) costuma dar a preceitos religiosos. Será que mesmo em caráter emergencial, o estado tem o direito de promover essa separação de gêneros, privilegiamo A ou B? O que poucas pessoas sabem é que a Lei Maria da Penha que surgiu apaziguadora, aos poucos se tornou eleitoreira.

Fé e crença

A maior parte das pessoas que se identificam como sendo teístas (religiosas ou não) não são verdadeiramente crentes, no sentido literal da palavra. Visto que estes não dizem crer que seus deuses existem, mas sim TEM CERTEZA DISSO. Na contramão, raríssimos ateus (militantes ou não) apontam a inexistência de deuses como  irrevogável, pouquíssimos os que dizem: “Eu sei que nenhum deus existe!”

Aparentemente usar da razão para justificar uma convicção requer arcar com muito mais exigências, geralmente envolvendo uma ou outra forma de empirismo e investigação. Enquanto que lidar com fenômenos ditos inexplicáveis se valendo de fé, desde fadas até anjos, a exemplo, é muito mais simples. Daí se explica o porque de pessoas com baixa escolaridade serem bem menos céticas, em certos casos ingênuas.

O problema de certos religiosos é tentar racionalizar em cima de suas crenças, fé (não confundir com “dúvida”) é irracional. Crer e ter fé, são a meu ver, bem diferentes, crer é o parte do processo, eu observo evidencias, traço uma hipótese, testo a mesma isolando variáveis, e tenho uma convicção (não confundir com “certeza, saber”). Já com a fé eu sei algo, indubitavelmente, e mesmo sem quaisquer evidências.